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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Coisas com A

15.03.16, Alice Alfazema
Ilustração Gürbüz Doğan Ekşioğlu   A ampulheta do tempo escorre gota a gota em tudo aquilo que podemos e gostaríamos de fazer. É noite, é dia, é noite, é dia. Escoou nas frases que dissemos, nos sorrisos, nos abraços, nas lágrimas. Aos anos, aos dias, às horas. Vai e não vem. Ficou-se. Espreitamos e não vemos, mas sabemos que ela está lá. Talvez seja de vidro, talvez seja de porcelana fina, ou de cristal, é frágil, quando se parte não existe retorno. Seguramos a (...)

Corte

07.09.15, Alice Alfazema
Ilustração  Sonia Maria Luce Possentini     Quando somos crianças sentimos que temos todo o tempo do mundo, sentimos as coisas pela primeira vez, a magia da descoberta. À medida que o tempo passa tudo se vai desvanecendo, temos tendência a acreditar menos, a desconfiar, a ter mais medo. Cortamos emoções. Pegamos na tesoura do tempo e cortamos tiras fininhas para nos lembrarmos disto e daquilo. Depois o tempo passa e as tiras esvanecem-se. A tesoura enferruja e perde o corte. (...)

A cada esquina

03.09.15, Alice Alfazema
  - Olhe,  Daniel. O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira, ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.   Fermím em A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón.      

Uma pergunta por dia: Somos prisioneiros do tempo ou o tempo é o nosso libertador?

31.08.14, Alice Alfazema
  Pintura Vladimir Kush   Para não matar seu tempo, imaginou: vivê-lo enquanto ele ocorre, ao vivo; no instante finíssimo em que ocorre, em ponta de agulha e porém acessível; viver seu tempo: para o que ir viver num deserto literal ou de alpendres; em ermos que não distraiam de viver a agulha de um só instante, plenamente.   João Cabral de Melo Neto   [...] São compridos os dias mas cada vez mais breves as secções da (...)

Algum sorriso eu perdi

22.07.14, Alice Alfazema
Cada vez mais sinto que não tenho tempo para tudo que ainda quero fazer, apesar de nos últimos anos ter conseguido fazer coisas que não tive oportunidade de fazer quando era mais nova, no entanto desperdicei tanta coisa, desperdicei por desconhecimento, por ignorância, por fraternidade, desperdicei o meu tempo, muito tempo...Algum sorriso eu perdi. À medida que o tempo passa a vida não passa sem nos chamar à razão. Essa razão tem sido amiga ou não. Vou pedir ao tempo que me dê (...)

Maio dia 10

10.05.14, Alice Alfazema
  ♥   Sentei-me aos pés do grande Eucalipto, e fiquei a apreciar o brilho mágico que o Sol transmitia ao Rio. O Vento soprava leve. Manhã gostosa. Ao longe uma aula de dança, a música chegava-me alegre aos ouvidos. Converso, não somos capazes de estar calados, é genético. O meu filho diz-me que o dinheiro e o tempo não vão para o caixão. Penso. Olho de novo o (...)

Despreocupado

12.04.14, Alice Alfazema
    O tempo perguntou ao tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que não tem tempo para dizer ao tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem.   Alice Alfazema