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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Onde estão eles?

18.07.19, Alice Alfazema
  As pessoas estão a perder os sentido de humor? Muitas vezes me deparo com ter de me repetir para me fazer entender. Estamos a ficar de tal forma formatados que o humor e a ironia passaram a ser matéria que tem de ser ensinada. O pior é que as pessoas com sentido de humor são descredibilizadas, como se manter uma cara séria e carrancuda fosse um pressuposto de pessoa responsável e resiliente. E há quem acredite nisso. É pena não haver mais gaivotas por aí.     As (...)

#diariodagratidao 24-05-2019

24.05.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Pramod Kurlekar     Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o (...)

Uma reflexão no Dia do Trabalhador

01.05.19, Alice Alfazema
  Ilustração Giuseppe Pelliizza   Antigamente, na generalidade, os trabalhadores laboravam em fábricas, na pesca, ou na agricultura, andavam rotos, sujos e descalços porque eram mal pagos e  mal vistos. Eram pessoas que não sabiam de nada, ranhosos, não letrados. Depois vieram os trabalhos de escritório, trabalhos de responsabilidade, melhor pagos, as pessoas passaram a vestir-se melhor, e a distanciarem-se dos rotos e sujos. Apareceram os chefes e os directores e os lambe (...)

#diariodagratidao 06-04-2019

06.04.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Denis Carrier   Hoje foi um sábado igual a tantos outros, fiz os mínimos de limpeza cá em casa, depois estendi roupa, lavei loiça, fiz o almoço, foi peixe cozido com batatas, fui beber um café à rua, espirrei durante grande parte do dia, tenho o nariz inchado, parece que vai explodir a qualquer hora. Vi um filme durante a tarde enquanto o Ginjas e o meu marido dormiam no sofá. Mas o melhor do dia foi ter escrito no blog sobre a dor de corno (...)

Coisas do nosso tempo - A decadência dos povos auriculares

23.03.19, Alice Alfazema
Venho reparando em como cada vez mais pessoas usam os altifalantes dos telemóveis em locais públicos. Alguns falam para o microfone mantendo o sistema em alta-voz. Outros, diga-se que de todas as idades, assistem a excertos de vídeo, com o som bem alto, em mesas de café. Outros ainda usam o aparelho em modo videoconferência, e sem reservas de maior: ainda há dias vi como um homem nos seus trintas apresentava à namorada distante, acompanhado de um amigo que ria muito, a casa de banho (...)

Moçambique

20.03.19, Alice Alfazema
  Ilustração Erin Robinson     Não sei como conseguimos ser felizes a ver a miséria dos outros. Não sei como dormimos tranquilos enquanto outros não têm casa, nem cama nem nada. Não sei como nos sentamos à mesa e degustamos a comida muitas vezes com desdém, quando outros dormem de barriga vazia, sem choros, sem nada. Não sei como olhamos para o nosso guarda-roupa cheio e dizemos que não temos nada para vestir, quando outros têm apenas a roupa que trazem no corpo. Não sei (...)

#diariodagratidao 04-02-2019

04.02.19, Alice Alfazema
  Ilustração Pablo Jurado Ruiz   Durante muito tempo eu vivi sobressaltada, a minha rotina podia ser alterada a cada momento. Nunca valorizei a rotina do dia-a-dia, mas ao fazer este exercício, e ao tentar encontrar em cada dia um momento que seja de valor, vejo então o quanto é importante vivermos com rotinas. E descubro que é para mim sinónimo de tranquilidade e de conforto, chegar a casa e saber o que me espera. Por (...)

Bairro da Jamaica

30.01.19, Alice Alfazema
Fui ver onde ficava o bairro da Jamaica, sempre pensei que ficava em Lisboa, afinal é no Seixal, na margem sul de Lisboa, também não sabia que havia uma margem sul de Lisboa.    Vi algumas fotografias de prédios em tijolo, com casas sem as mínimas condições de habitabilidade onde moram pessoas há décadas, pensei que já não existisse disto em Portugal, pensei mal.    Provavelmente muitas daquelas pessoas trabalham na margem norte de Lisboa. Ou não há margem norte?

Ao domingo

27.01.19, Alice Alfazema
  Ilustração Jody Hewgill   É domingo as pessoas juntam-se e vão à igreja, rezam e pedem, algumas agradecem. A catequista está lá presente para orientar as crianças. Está um dia de muito frio, de nuvens cinzentas e de vento agreste. As pessoas têm casacos quentes e sorriem. O frio arrepia-me  a pele. Como sempre reparo que os fiéis estacionam os carros em cima do passeio, ocupando todo o espaço de passagem de quem vai a pé. Têm estacionamento a cinquenta metros, mas (...)