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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Janeiro 20/20

11

11.01.20, Alice Alfazema
  Não comerei da alface a verde pétala  Nem da cenoura as hóstias desbotadas  Deixarei as pastagens às manadas  E a quem mais aprouver fazer dieta.  Cajus hei de chupar, mangas-espadas  Talvez pouco elegantes para um poeta  Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta  Que acredita no cromo das saladas.      Não nasci ruminante como os bois  Nem como os coelhos, roedor; nasci  Omnívoro; dêem-me feijão com arroz  E um bife, e um queijo forte, e parati  E eu (...)

Janeiro 20/20

7

07.01.20, Alice Alfazema
  A liberdade é a única coisa que os homens não desejam; e isso por nenhuma outra razão (julgo eu) senão a de que lhes basta desejá- la para a possuírem; como se recusassem conquistá-la por ela ser tão simples de obter.           Assim é: os homens nascem sob o jugo, são criados na servidão, sem olharem para lá dela, limitam-se a viver tal como nasceram, nunca pensam ter outro direito nem outro bem senão o que encontraram ao nascer, aceitam como natural o estado que (...)

Coisas do nosso tempo - Ser Polícia em Portugal

24.11.19, Alice Alfazema
«Sou polícia há 17 anos. Comecemos pelo vencimento: em 2003, acabado o estágio, auferia facilmente 900 euros, tinha 20 anos, solteiro, fui colocado em Lisboa antes dos voos low cost e do airbnb. Alugava um quarto por 100 euros e a farda ainda valia alguma coisa. Raramente era ofendido e, quando era, normalmente era num quadro de alcoolismo, onde todos somos uns fortalhaços. Dezasseis anos depois, trago para casa 1080 euros. Tenho duas filhas, casa para pagar e todas as despesas (...)

Manhã dos outros

11.11.19, Alice Alfazema
  Ilustração Andrej Mashkovtsev   Manhã dos outros! Ó sol que dás confiança         Só a quem já confia! É só à dormente, e não à morta, esperança         Que acorda o teu dia.   A quem sonha de dia e sonha de noite, sabendo         Todo o sonho vão, Mas sonha sempre, só para sentir-se vivendo         E a ter coração.   A esses raias sem o dia que trazes, ou somente         Como alguém que vem Pela rua, invisível ao nosso (...)