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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Paginação da vida

01.11.19, Alice Alfazema
      E se fossemos um jornal que tipo de artigos teríamos? Seriamos diários, semanais ou semestrais? Com artigos científicos? Ou artigos banais de vida quotidiana, moda, ou enredo novelesco? Poderiam as pessoas lerem-nos a cada hora, numa actualização constante de temas? Seria a arte o mais importante? Ou o meio-ambiente? Ou ainda o humor? Das tuas páginas poderíamos aproveitar recortes que seriam guardados num museu? Ou as tuas folhas reriam rasgadas e levadas para a reciclagem?  (...)

O cadeado do Amor

24.10.19, Alice Alfazema
  Pensar que o símbolo de um amor seja um cadeado fechado numa qualquer grade de uma ponte deixa-me triste, porque um amor deve ser livre. Livre em acções e pensamentos, livre em todas as suas formas, um amor prisioneiro não é amor.   Porque se há-de querer um amor aprisionado? Tal como a felicidade, o estado amoroso é efémero, frágil, que necessita de cuidado, como podem cuidar de um amor prisioneiro e frágil. O frágil não aguenta muito tempo a prisão, nem é feliz. É um (...)

Coisas do nosso tempo - Neandertais

16.10.19, Alice Alfazema
  Parece que foi feita uma descoberta na Grécia por cientistas, que chegaram ao resultado de que a ilha de Naxos já era habitada por neandertais há 200.000 anos, dezenas de milhares de anos antes do que se pensava até agora. A espécie que coexistiu com os humanos modernos...   A mim o que me deixa interrogada é eu ver por aí tanta gente parecida com neandertais e ninguém referir isso.    A fotografia é daqui (...)

Bom dia 💋

14.09.19, Alice Alfazema
  Ilustração Roshi Rouzbehani   Há muito tempo, na cidade de Zahlé, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta, de nome Fauzi, e um oleiro, chamado Nagib. Para evitar que o tumulto se agravasse foram levados à presença do juiz do lugarejo. O juiz, homem íntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado.  - Disseram-me que você foi agredido? Isso é verdade? - Sim, senhor juiz.  - confirmou o oleiro - fui agredido em minha própria casa por este (...)

Azul

12.09.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Budi Satria Kwan   O céu, azul de luz quieta, As ondas brandas a quebrar, Na praia lúcida e completa — Pontos de dedos a brincar.   No piano anónimo da praia Tocam nenhuma melodia De cujo ritmo por fim saia Todo o sentido deste dia.   Que bom, se isto satisfizesse! Que certo, se eu pudesse crer Que esse mar e essas ondas e esse Céu têm vida e têm ser.     Poema Fernando Pessoa  

Coisas do nosso tempo - Ida à esteticista

11.08.19, Alice Alfazema
Foram os quatro à esteticista, a mãe, o pai, e as filhas. As mulheres precisavam de cuidar do pêlo, fazer uma completa, não queriam cá tapetes de veludo a enfeitar as salas. A sala era pequena para tanta gente junta, ao todo estavam lá cinco. No meio da sala a marquesa, numa das pontas um sofá, um móvel grande com prateleiras, do outro lado a máquina que trucida a penugem e aos pés da marquesa, a menos dois metros, um outro sofá, foi lá que o pai se instalou para consultar o (...)