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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Julho 1944

Auschwitz

02.07.20, Alice Alfazema
  Quando brilhou a aurora, dissolveram-se Entre a luz as florestas encantadas, Arvoredos azuis e sombras verdes, Como os astros da noite embranqueceram Através da verdade da manhã.   Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poesia, 1944   Tenho estado a ler sobre Auschwitz, Julho de 1944, é-me difícil de ler, tenho-o lido aos poucos, continuo surpreendida com as atrocidades ali cometidas, com a banalização do sofrimento, com a brutalidade da morte, da morte lenta, da morte através (...)

Conversas da escola - O estupor da folha

29.06.20, Alice Alfazema
Uma senhora vem acompanhada, ou é acompanhante, de bebé de colo, criancinha de três anos e uma miúda de dez anos...vêm todos entregar os manuais da mana mais velha. O livro de português tem a folha de rosto escrita, como todos sabem, (alguns ainda continuam por saber), não é para escrever nos manuais, porque os manuais são para ser reutilizados, blá, blá, blá...Ora se a folha de rosto do livro de português está escrita o que fazemos?  1- Apagamos o que está escrito. 2- (...)

Estratificação social

às camadas

27.06.20, Alice Alfazema
    1. ama os teus sonhos como o teu próximo ou como os sonhos do teu próximo mas se o teu próximo não tiver sonhos convém mandar o teu próximo para muito longe donde não te possa contaminar     2. não atravesses a rua (ou a vida tanto faz) com palavras ameaçadas de medo leva em vez delas um límpido silêncio onde possas nascer para o dia claro que se anuncia nas janelas do quarto não regresses à rua (ou à vida tanto faz) com gestos grisalhos de medo leva em vez deles um (...)

As palavras que estão nos livros, o destino e as circunstâncias

23.06.20, Alice Alfazema
    - Olhe,  Daniel. O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira, ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.       Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu (...)