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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Carta para um/a adolescente

12.06.10, Alice Alfazema

Quando nasceste, desde a tua  concepção foste desejado, amado, pensado e imaginado, com amor e carinho.

Nasceste, foste lavado, vestido, acarinhado e mimado. Levas-te colinho quando fazias birras e chucha quando querias dormir. A comida preparada com carinho e cuidado, o cabelo penteado com esmero. Abraços que retribuíam amor, sentido por todos, risos e gargalhadas, idas à praia e a descoberta de novos mundos. As mãos que te conduziam e que tu tanto confiavas e querias que apertassem as tuas, para juntos sentirem o calor da amizade que nos unia. 

O tempo passou e o ciclo interminável da vida, que não pára de girar, encarregou-se de te mudar.Transformou-te o corpo, moldou-te novas formas e a voz, e implacavelmente mudou-te o pensamento. Deixas-te de querer dar abraços e julgas que te odeiam, que todos estão contra ti. Parece que só tu és o dono da verdade. As mentiras são fáceis e úteis, e tu usá-las com frequência, demasiada, porém necessária para conseguir essa tua fachada de adulto que sabe tudo.

Continuas o mesmo, apenas o corpo mudou, as experiências que precisas de fazer, para crescer como indivíduo, não te deve de impedir de ser amável e carinhoso, para com aqueles que sempre o foram contigo. A tua revolta cega-te e magoas, sem veres que te estás a magoar tambéma a ti. Pensa antes de agir ou reagir, o tempo não pára, mesmo que queiras. A necessidade de te afirmares não é sinónimo de arrogância e egoísmos. Para passares de lagarta a borboleta tens de confiar naqueles que te guiaram nos teus primeiros passos que de certeza foram inseguros e difíceis. Estás numa nova fase em que o caminho muitas vezes terá de ser percorrido sozinho o que não invalida que se possam pedir e ouvir conselhos de quem nos ama. A decisão será tua, pois essa caminhada só tu a podes fazer, mas ela não tem de ser dolorosa, nem para uns nem para outros.

Lembra-te que alguém que te ama gostaria de ouvir, obrigado, por me abraçares, por trabalhares para me dares comida e por te preocupares comigo. Tu és um pedaço deles, das suas memórias da sua carne e sangue, do seu amor e carinho...Do seu tempo. És um pedaço das suas noites mal dormidas, dos seus choros e risos tu és tudo para quem te ama, porque não podes ser comprado em qualquer loja...não podes ser recriado...Porque és único!

 

Alice A.

 

PS- Não deixes para amanhã o abraço que podes dar agora.

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