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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversa com mortos

09.04.11, Alice Alfazema

 

 

 

 

 

 

 

 

- Vim muitas vezes embriagado e deprimido a este cemitério para fazer terapia. Como os vivos raramente conversam comigo por me apelidarem de alcoólico, maluco, irresponsável, e os poucos que conversam começam logo a dar-me uma bronca e conselhos baratos, eu entrava neste cemitério e conversava com os mortos. Aqui chorei pelos meus erros. Aqui disse que era um frustrado, alguém que queria começar tudo de novo, mas falhava continuadamente. Aqui confessei que me sentia um lixo humano. Aqui pedi desculpa a Deus pelas bebedeiras que tive, pelas saídas que me faziam dormir nas praças, por ter abandonado a minha família. Nunca um morto reclamou dos meus disparates.

 

 

 

Augusto Cury, O vendedor de sonhos

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