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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Poema Lakota

16.11.10, Alice Alfazema

 

Respeitei a juventude

    o mundo todo e a vida,

De nada sentia falta  a não ser

    da paz d’espírito

E, contudo, eu mudei, apesar das minhas crenças,

    nas mentiras da Iktumi acreditei cegamente.

Parecia que da verdade, era ela a detentora,

    e, solene, prometeu fazer-me feliz p’ra sempre.

A Wakantanka riquezas ela me fez implorar,

    afirmando que poder eu viria a ter;

 

Foi-me oferecida a pobreza, p’rà

    minha força interior achar.

Pedi fama,

    para os outros me poderem conhecer;

Foi-me dado o anonimato,

    p´ra saber conhecer-me.

Pedi alguém a quem amar p’ra

    jamais ficar sozinho;

Foi-me dada a vida de um eremita, p’ra

    aprender a aceitar-me como sou.

Pedi poder, p’ra

    coisas realizar;

Foi-me dada a hesitação, p’ra

    a obedecer aprender.

Pedi saúde, p’ra

    uma longa vida viver;

Foi-me dada a doença, p’ra

    cada minuto sentir e também apreciar.

 

Pedi à Mãe Terra coragem,

    p´ra seguir meu caminho;

Foi-me dada a fraqueza, p’rà

    Sua falta poder sentir.

Pedi uma vida feliz, p’rà

    vida poder gozar;

Foi-me dada a vida, p’ra

    poder viver feliz.

de tudo o que havia pedido, nada me foi ofertado,

    apesar disso, contudo, todos os meus desejos

    realidade se tornaram.

 

Não obstante eu próprio e a malvada Iktumi,

    os meus sonhos se realizaram,

Fui gererosamente abençoado,

    mais do que uma vez esperei.

Agradeço-te Watantanka,

    por tudo quanto me deste.

 

Poema Lakota