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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Em fila

10.01.14, Alice Alfazema

 

 

Ela diz assim: olha tenho uma novidade para vos dar, já arranjei um part-time, vou fazer limpezas duas horas por dia, ganho dois euros e oitenta à hora, fica em cento e tal euros. Já é uma ajuda, há quem não tenha nada, é para pagar um pouco da renda, o ordenado não chega para as despesas. 

 

Eu poderia concordar, mas não concordo. Não concordo que se ganhe esta miséria e que ainda se ache que é uma sorte tê-la, porque infelizmente ainda há gente com menos. Não concordo que se ache fácil fazer limpezas. Não concordo com esta exploração porque sem dúvida as mulheres são as mais atingidas. Não concordo que as empresas exibam milhões sem demonstrarem como o conseguiram.

 

Parece que o país é agora uma enorme empresa, e que isto se estende pelo mundo fora. Afinal que fazemos nós aqui, em cima deste pedaço de terra? Para que servem enormidades de dinheiro para pouquíssimas pessoas? Como diria alguém que conheço, devem comê-lo várias vezes ao dia. A grandiosidade empresarial, a grandiosidade da globalização, a grandiosidade da fama, o prestígio, o fato à maneira, o sapato a brilhar, no entanto, no wc a merda que vai pela água abaixo. Talvez haja diferença na pressão da água, quanto ao resto a terra há-de comer.

 

Alice Alfazema

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