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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Vestimentas de Natal

27.11.13, Alice Alfazema



Ilustração Fernando Vicente



Provisoriamente não cantaremos o amor,

que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,


o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.




Carlos Drummond de Andrade




Alice Alfazema

 

3 comentários

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    Alice Alfazema

    27.11.13

    Assim como o Natal não coincide com fraternidade, é tudo apenas ilusão.
  • Imagem de perfil

    golimix

    28.11.13

    Nem mais
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