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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Vergonha

13
Out13

Há coisas que nos ficam na mente, e por mais que o tempo corra não apaga essas memórias. A primeira vez que fui com o meu filho ao jardim zoológico o miúdo teve a primeira decepção da vida dele, pois não havia pradarias, os leões e os outros animais não corriam, tal como ele vira nos inúmeros documentários sobre a vida selvagem. A mim não me ocorrera dizer-lhe que naquele sítio onde iríamos ver os animais selvagens a vida era diferente daquilo que se via na televisão. Mas o que me impressionou mais nesse dia foi enfrentar o olhar do Gorila, olhos nos olhos, baixei os olhos e senti vergonha. Os olhos da cor dos meus perguntaram-me: para onde estás a olhar? que fiz eu para estar aqui? achas-me diferente de ti? este planeta é nosso? Tive que sair dali porque não aguentava aquela fala silenciosa, aquele olhar ficou gravado nas minhas recordações. Eu não tinha resposta, apenas a vergonha existia em mim. Não consigo despir-me dela.

 

Alice Alfazema

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