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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Chá

06.09.13, Alice Alfazema

 

Pintura Christian von Schneidau 


Se eu tivesse vivido nos loucos anos vinte teria me vestido assim. São servidos? Acho que vou começar pelo chá de funcho. 

 

 

                                para Jorge Amado

 

Chá de poejo para o teu desejo

chá de alfavaca já que a carne é fraca 

chá de poaia e rabo de saia

chá de erva-cidreira se ela for solteira

chá de beldroega se ela foge ou nega

chá de panela para as coisas dela

chá de alecrim se ela for ruim

chá de losna se ela late ou rosna

chá de abacate se ela rosna ou late

chá de sabugueiro para ser ligeiro

chá funcho quando houver caruncho

chá de trepadeira para a noite inteira

chá de boldo se ela pedir soldo

chá de confrei se ela for de lei 

chá de macela se não for donzela

chá de alho para um ato falho 

chá de bico quando houve fuxico

chá de sumiço quando houver enguiço

chá de estrada se ela for casada 

chá de marmelo quando houver duelo

chá de douradinha se ela for gordinha

chá de fedegoso pra mijar gostoso 

chá de cadeira para a vez primeira

chá de jalapa quando for no tapa

chá de catuaba quando não se acaba 

chá de jurema se exigir poema

chá de hortelã e até amanhã

chá de erva-doce e acabou-se

 

 

 

(pelo sim pelo não

 

                               chá de barbatimão)


 

Gilberto Mendonça Telles 



Alice Alfazema

 

 


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