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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Brincar aos pobrezinhos: um homem sobre a calçada

03.08.13, Alice Alfazema

Ontem fui a Lisboa. No largo Camões havia muita gente, aliás como em toda a cidade, ou pelo menos na cidade turística. 

 

Num dos passeios do largo, um homem dormia, com a cabeça na calçada, como se um belo travesseiro tivesse. Olhei-o, tinha no rosto adormecido um ar tranquilo, olhei em volta, ninguém parecia vê-lo, e eu senti-me como se estivesse a intrometer-me na vida de alguém, afinal aquele homem estava na sua casa, desviei o olhar e continuei a andar, tal como todos os outros que passavam. 

 

Quando regressei ao largo, já passado umas horas, não pude deixar de percorrer com o olhar o largo para tentar descobrir o homem que há pouco dormia tranquilo sobre a calçada. Desta vez estava dormindo nos degraus da estátua de Camões. Talvez este seja um modo de um futuro turístico, ainda por desbravar, talvez além da Comporta este também seja um modo de brincar aos pobrezinhos e ver o quanto eles se sentem tranquilos mesmo perante um calçada fria, de pedra e porca.

 

Alice Alfazema

 

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