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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

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A pesca do cerco - Património Imaterial

22.06.13, Alice Alfazema

Como o tempo é de comer sardinhas deixo-vos aqui um pequeno texto que fiz sobre a pesca do cerco, quando comerem o peixe lembrem-se que ele não vem das bancadas do hiper ou de um outro qualquer lugar, mas sim daquele mar lindo que temos e que é pescado por gente que sabe muito de suor e de lágrimas.

 

 

 

A pesca de cerco é uma arte que se enquadra no âmbito de processos e técnicas tradicionais. Estão a ela associados saberes, objetos e lugares. Esta arte manifesta-se ao longo da costa portuguesa, tem no entanto algumas variações entre lugares. Assim, a sul do Tejo as embarcações são de menores dimensões e muito diferenciadas nas suas características. Na região norte podemos encontrar embarcações mais recentes, enquanto no Algarve a frota é bastante envelhecida. Esta atividade é levada sobretudo para a captura da sardinha, pode no entanto capturar outras espécies, tal como a cavala, o carapau e a sarda. No continente, é feita nas águas costeiras da plataforma continental, faz-se ao longo do ano e a sua atividade é regulamentada por legislação nacional. Geralmente as embarcações são pequenas comunidades familiares que mantêm o seu saber no seu núcleo.

 

 

            Dantes as docas encontravam-se repletas dessas embarcações, entretanto com a modernização das técnicas de pesca, a globalização do comércio e as exigências das cotas pesqueiras feitas pela UE, houve uma drástica diminuição nas frotas pesqueiras. Apesar das adversidades encontraram-se caminhos para manter a atividade. Tais como, a criação de projetos certificados, entre eles a conserva artesanal de pescado e a gastronomia como oferta turística. São exemplo os festivais da sardinha, os petiscos, entre outros. As histórias de vida vêm também enriquecer este património.

 

 

             As viagens para a captura do peixe, têm a duração de 12 horas e fazem-se próximo do porto de partida. Esta pesca divide-se em quatro etapas, a “ largada da rede, viragem da retenida, alagem da rede e transbordo do peixe”. O Mestre é o responsável pela embarcação e cabe-lhe decidir e efetuar o lance de pesca. As embarcações mais pequenas são designadas por rapas ou tucas e as de maior dimensão são as cercadoras e as traineiras. As cercadoras utilizam uma pequena embarcação auxiliar a que se dá o nome de chalandra ou chata. A frota só está autorizada a pescar “ ¼ de milha de distância da costa, e apenas em profundidades superiores a 20 metros”.

 

             Aos lances podem acontecer duas coisas: slipping ou transbordo. O slipping corresponde à libertação deliberada da captura, no entanto esta manobra é feita de modo a que o peixe nunca saia da água, o que não acontece noutras artes. Existe também a partilha de captura entre embarcações, exemplo disso são as chamadas “enviadas” existentes em Sesimbra que “ transportam a captura de um lance para o porto de desembarque enquanto a traineira prossegue a pesca”. Sendo a pesca de cerco uma atividade tradicional e de interesse nacional, esta atividade enquadra-se na diversidade cultural e pode garantir o desenvolvimento sustentável. Existe uma correlação entre as comunidades na produção e recriação de modos de vida, que de algum modo contribuíram para a sua salvaguarda e tomada de consciência das gerações futuras.

 

Deixo-vos um video para que possam apreciar esta arte.

 

 

 
Boa sardinhada!
 
 
Alice Alfazema

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