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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Riso

17.06.13, Alice Alfazema

 

Ilustração Kim Barnett

 

Às vezes rio-me, demoradamente, silenciosamente, com esta cena da crise e oiço-os queixarem-se que levam menos para casa. Que não aguentam, que isto e aquilo. E eu penso, o que fariam com aquilo que eu ganho? Se eu vivesse sozinha, não conseguiria sustentar os meus filhos, para não falar no resto, basta apenas isto. Rio-me, não de gozo, mas de pena de mim, de ver o valor do meu trabalho pago à miséria do salário mínimo, e os anos passam e não há escalão, nem valorização de nada. É um zero redondo e um circulo que parece impossível de quebrar. Não é tristeza, é apenas um riso sem som.

 

Alice Alfazema

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