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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O fundo do mar

13.06.13, Alice Alfazema

 

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

 

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

 

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

 

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


 

Sophia de Mello Breyner Andresen


 




Alice Alfazema

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