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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Resort

14.05.13, Alice Alfazema

 

Os remendos dos pobres não se vêm, já passámos esse tempo. Li por aí, e há quem pense que os pobres são apenas  aqueles que não sabem falar, que não têm como se vestir, mendigam ou vivem de subsídios. Quem vive do salário mínimo em Portugal sabe o que é ser pobre e depender dos outros. A grande maioria são mulheres que trabalham em empregos duros. É natural que a miséria ganha não dê para espairecer. Pode haver quem diga que é melhor ter esse dinheiro que dinheiro nenhum. Sendo assim, enquanto fizermos a nossa felicidade em cima das misérias dos outros não chegaremos a lado nenhum. E é assim Portugal.

 

Não há muito tempo, este país era de gente do mar e da terra, agora somos, grande parte de nós, descendentes de gente ilustre, que trabalha em cargos e carguinhos, que veste desta e daquela marca, que não sorri a este e àquele  porque tal não interessa para enriquecer a sua rede social.

 

Todos os dias vejo mulheres sem dentes, mulheres novas em idade, mas velhas de aspecto, trazem os filhos a rasto. Quiseram elas ser assim? que oportunidades têm?

 

As propagandas de férias, daquelas em que se fala em resorts, fazem-me lembrar este país. Onde a paisagem é bela, o sol e mar, mas depois fora do resort há um outro mundo por descobrir. Cada um fala do que sabe. No entanto, isso não quer dizer que saiba tudo.

 

 

Alice Alfazema

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