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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Colarinho encardido

21.04.13, Alice Alfazema

Eu compreendo perfeitamente quem trabalha dando exercício ao corpo, eu própria já o fiz. Já trabalhei muito, numa linha de produção, durante seis meses. No entanto, o trabalho que tenho agora cansa-me mais, vocês podem descansar o corpo que no outro dia estão recuperadas, com a cabeça não é o mesmo.


- O que eu gostava de ter um emprego assim.

- Mas, ganham uma miséria!

- Então, mas não levam nada para fazer em casa.

- (E as dores? Ficam no trabalho?)


Agora, em algumas empresas existem cacifos especiais para as pessoas que trabalham de forma não intelectual deixarem os seus cérebros e as dores. No fim da jornada podem recolhe-los sem prejuízo dos mesmos.

 

Vejam o burro, Camaradas

Esta zebra pequena vestida de lama bonita fofa

Tem quatro pernas de andar aos saltinhos

Duas orelhas ouvidouras de ouvir tudo bem

Dois olhos espertos cheios até às lágrimas de paciência

O nariz do focinho muito fresco e macio.

 

O burro é burro, Camaradas?

Quem diz que é burro e despreza este companheiro?

Quem quiser ofender-me não me chame de burro

Quem quiser ofender-me não seja tão amável!

Quem quiser ofender-me inventa outra palavra

Porque chamar-me burro lembra-me burro mesmo

E não posso magoar-me com simpatia.

 

Não estou a defender o amigo útil somente

Não estou a pensar bem deste que faz o seu esforço e puxa

Não penso que ele me ouve tudo e puxa mais forte assim.

Há coisas desde companheiro para pensar melhor e espalhar.

Falo agora somente só pela simpatia.

 



Mutimati



Alice Alfazema