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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Ânsia

17.04.13, Alice Alfazema


Na semana passada um pardal entrou na minha cozinha, já era noite e o esquentador estava acesso, mesmo assim, o pássaro saiu de dentro dele ileso, não sei como, mas saiu. Escapou à panela que estava ao lume e voou pela casa. Apanhamo-lo. Fizemos, então, de uma caixa de papelão a sua casa de dormir, não mais se mexeu. 


No outro dia, bem cedo, na hora em que os pardais acordam e se espreguiçam, levámos a caixa para a rua, nenhum movimento lá dentro. Na rua o chilrear dos pardais ecoava no ar. O sol sorria. Mal abri a caixa um vibrante par de asas deu um salto para o céu. Veloz, voou em direcção às árvores e eu fiquei ali a olhar aquela vontade de liberdade. 




Um espírito habita a imensidade:
Uma ânsia cruel de liberdade 
Agita e abala as formas fugitivas.

E eu compreendo a vossa língua estranha,
Vozes do mar, da selva, da montanha...
Almas irmãs da minha, almas cativas!




 Antero de Quental, Redenção.




Alice Alfazema

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