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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A troco de comida

14.04.13, Alice Alfazema

 

Pintura de John Mc Ghie 


 

A mulher pôs o anuncio no painel do supermercado, tomo conta de idosos a troco de comida. Trabalha como varredora de rua. O ordenado não lhe chega para alimentar os dois filhos. Por vezes a água e a luz ficam por pagar. Tem muita tonturas, pois vai trabalhar sem comer. 

 

Há uns anos, aquando da possível epidemia da gripe das aves eram distribuídas vacinas gratuitamente ao pessoal da limpeza e recolha de lixo. Estas pessoas que desempenham tais serviços são cruciais para a nossa sociedade, delas depende o nosso bem estar, quer ambiental quer sanitário. No entanto, essa mulher ganha miseravelmente, tanto que nem para a comida chega, presumo que tem de fazer opções, entre ficar sem casa ou sem comida, prefere a primeira. Estas funções chegam a ser pagas a 2,5€ à hora. Muito digno, não? 

 

É esta a nossa sociedade, cheia de castas e castinhas. 

 

A mulher de cabelo preso, há muito que deixou de pintá-lo, refere que o dinheiro não é importante, apenas o carinho é importante. Enquanto para uns a vida é feita das escolhas sobre as cores da roupa que vão vestir, que tipo de pulseira usar, qual o melhor perfume...para outros que trabalham, igualmente, a escolha é feita através de um prato de comida. 

 

Estamos em Abril 2013, no entanto o senhorio alastra-se. 

 

Ela agarra a mala, com força, talvez procure aí a força para continuar.  A sua cara tem expressão, gasta, de quem chora, não que ela queira ser assim, foi esta vida, esta desigualdade imposta que lhe tirou os seus projectos. A ela como a outros são vedados os sonhos. 

 

Antes desta reportagem, já havia passado uma outra sobre o desperdício da comida. Muita comida é desperdiçada. Tanta que dava para combater a fome a nível mundial. Há fruta que fica a apodrecer nas arvores, outras são vendidas à industria a 1 cêntimo. A pobreza propaga-se a uma velocidade galopante e com ela a pobreza de espírito.

 

 

Alice Alfazema

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