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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Fio de prata

09.04.13, Alice Alfazema

 

Pintura de Hans Andreas Dahl 



Antes tínhamos tempo de observar o rio, ouvi-lo correr, serpentear entre as montanhas e os vales, brilhante e sedoso, às vezes revolto e agressivo. Agora tudo passa tão rápido, que ele já deixou de ser rio e passou a fio de prata, ou a mancha gasta e escura, presa num longo muro de cimento, que lhe tolhe os membros e a luminosidade. Hei-nos aqui olhando do cume do tempo, esperando que ele pare e nos veja. É na pressa que sentimos a distância, e a solidão dos contratempos, é nela que nos envolvemos todos os dias, a nossa manta de escolhas.



Alice Alfazema

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