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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Um sorriso, por favor!

23.02.13, Alice Alfazema

 

 

 Pintura de Diego Akel

 

A Manuela era uma rapariga bonita e alegre. Gostava de experimentar tudo o que era novidade. Já tinha passado dos vinte quando experimentou pela primeira vez aquela malvada. Não sabia bem ao que ia. Disseram-lhe que aquilo era nice e que toda a gente experimentava. Não havia mal nisso. Foi num fim de semana de festa, a primeira vez, depois no seguinte e no outro que veio depois. Nunca mais a largou. Dizia que não era vício. Os anos passaram e ela deixou a alegria lá no fundo da alma. Reduziu-se a si própria ao pó que consumia. Entrou em casas de desintoxicação. Reaprendeu a viver  e voltou a desaprender. Uma vez e outra. Perdeu a juventude. Ganhou um brilho baço. Pediu moedas nos parques de estacionamento. Vendeu o corpo. Ficou sem a alma. Anda por ai. Passeia rua abaixo rua acima. Gasta os dias nisso. O tempo consumiu-lhe a memória.Tem medo de si. Não tem forças. Tem medo do escuro e que os pesadelos voltem. Há uns anos que não consome. Tem vergonha de ser quem é.  Às vezes esquece-se disso e sorri.  O seu sorriso é desdentado. Ninguém se preocupa com isso, querem é vê-la feliz.

 

 

Alice Alfazema

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