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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A menina dos tímpanos

06.01.13, Alice Alfazema

 

 

A sala em tons de dourado reflecte os gostos de outros tempos. O enorme lustro está suspenso no tecto. As paredes são forradas a tecido. As folhas em talha dourada. A escadaria tem um tapete fofo que cobre parte dos degraus. Nos patamares manequins estão vestidos com fatos que foram outrora sucessos. Nos camarins as mãos pousam no veludo rosa já gasto pelo tempo.

 

O som dos instrumentos parecem gritar, circulam pelo ar e vêm até mim. Os músicos aquecem. As pessoas continuam a ocupar os seus lugares. Há burburinho no ar. Olho para todos os pormenores, mais uma vez, antes que a luzes se esvaiam. Aquele lugar tem energia, daquela boa, gosto disso.

 

Entram os músicos e o coro, ouvem-se palmas. Sentam-se e esperam. Chega o maestro, mais palmas, começa o concerto.

 

Continuo a observar, agora na penumbra. As cores parecem dar a primazia à música. Os dourados estão adormecidos. As pessoas estão sossegadas. Olho para o espaço vazio, entre o lustro os músicos e as pessoas e parece-me ver música no ar. Parece-me então que os sons dançam e que voam...tais como andorinhas estonteantes. Num mundo de sons e de cores. 

 

Os músicos trazem ao mundo os seus sons. O maestro parece estar possuído pela energia emanada daquele espaço. Ouvem-se os tímpanos. Os sons misturam-se e fazem as melodias. A menina dos tímpanos sorri, e o seu sorriso parece fundir-se na melodia. É Dia de Reis. 

 

 

Alice Alfazema

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