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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Tranquilo

19.09.10, Alice Alfazema

 

 

É preciso morrer em paz, e é preciso que alguém o diga. Não compreendo a luta dos médicos que dizem que estão numa missão de salvar vidas, quando no fundo sabem que estão é a salvar o sofrimento.

Adiar a morte não é salvar...é impor sofrimento, é o desespero das famílias que sofrem.

Fica aqui a frase que me fez escrever isto:

«- Acabou, olho para ele, agora tão tranquilo, o rosto sem sofrimento, é melhor assim, para ele e para mim.»

É bárbaro impor à força de máquinas, a vida, a alguém que não tem capacidade física para o fazer.

É bárbaro fazer as famílias acreditarem que tudo pode mudar.

É bárbaro não ter capacidade para dizer a verdade sem usar crueldade.

A morte é fria e inevitável, mas pode ser tranquila.

 

Alice