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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Retratos*

20.08.12, Alice Alfazema

 

Olhei para o espelho e não me reconheci, as rugas e os cabelos brancos invadiram o meu corpo. Não tenho memória de alguma vez ter tido férias, nem um único dia. Os meus dias arrastam-se nos infindáveis afazeres domésticos, é como se a minha essência tivesse fugido para longe.  Do futuro nada prevejo. Os anos passaram e os sonhos de menina desbotaram, por mais que eu queira não sei onde arranjar forças para continuar a olhar-me no espelho. Talvez eu até tenha sorte, pelo que leio nos jornais. No entanto há esta violência muda que sinto todos os dias. O peso dos meus braços, a dor crónica e o cansaço de uma vida que é sempre igual.

 

*este retrato pretende ilustrar situações que por serem banais não se incluem num estado de violência, no entanto a violência manifesta-se de diversas formas e esta é uma delas. É descrito na primeira pessoa tentando dar voz a quem não o consegue fazer.

 

Alice Alfazema

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