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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Libelinha Dourada

31.08.10, Alice Alfazema

 

 

 

Uma libelinha vaidosa e que sabe o que quer, resistiu aos focos de luz, a um espirro...aos gritos dos miúdos, lançou-se ao ar por três vezes mas não desistiu de posar para a foto e por três vezes pousou no mesmo sítio, incrível...parecia até dizer:

 

«Se as pessoas vivessem a vida de trás para a frente, seria assim: as pessoas deveriam primeiro morrer e, assim ficariam logo livres disso. Em seguida, viveriam vinte anos num asilo. Ao atingir a maturidade, deixariam o asilo, ganhariam um relógio de ouro e arranjariam um emprego. Depois de trabalharem por uns quarenta anos, até ficarem suficientemente jovens, viria a reforma.

Daí, iríamos para a faculdade, experimentaríamos drogas, álcool, iríamos a festas, até nos prepararmos para o liceu. Depois do secundário, viria o primário e seriamos crianças, poderiamos brincar, não ter responsabilidades. Daí, toda gente seria bébé de novo, voltaria ao útero, passaria os últimos nove meses flutuando e terminaria como um brilho no olhar de alguém.»

 

Não sei quem é autor deste pequeno grande texto, mas a libelinha que já foi a ninfa que viveu e morreu noutro corpo, que para uns é considerada um simbolo de mudança e beleza e para outros tem nomes pouco dignos da sua pessoa... poderia sem dúvida dizê-lo.