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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Trabalho forçado

a escravatura moderna

31.07.21, Alice Alfazema

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Ilustração Vasco Gargalo

Vasco Gargalo  é o vencedor do concurso internacional de cartoon sobre trabalho forçado, destinado a aumentar a sensibilização para a escravatura moderna. Na sequência do desafio que a OTI lançou em março de 2021: "E se o seu lápis fosse uma ferramenta contra o trabalho forçado?"

 

“O trabalho forçado é um assunto complexo, algumas imagens estereotipadas, tais como correntes e bolas, são frequentemente utilizadas para representar a escravatura moderna. Contudo, atualmente, os mecanismos através dos quais uma pessoa pode ser coagida a trabalhar podem ser muito mais subtis, através do engano, confisco de passaportes, retenção de salários, manipulação de dívidas. Estas caricaturas desafiam as perceções do trabalho forçado”.

Philippe Vanhuynegem, Responsável do Departamento Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho da OIT.

 

A OIT estima que 25 milhões de homens, mulheres e crianças estão presos em trabalho forçado: 16 milhões de pessoas são exploradas no setor privado, incluindo na construção civil, agricultura ou no trabalho doméstico; 4,8 milhões são vítimas de exploração sexual forçada e 4 milhões estão em trabalho forçado imposto pelo Estado.

 

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Ilustração Takjoo Javad 

Como 2021 foi designado Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil, um número significativo de cartoons também destacaram a situação das crianças obrigadas a trabalhar. 

É importante estarmos atentos e conhecedores desta dura realidade, e que, apesar destas duas imagens terem o seu foco na máquina de costura, o trabalho forçado e o trabalho infantil estão instalados nas mais diversas áreas da economia local em direção à global. A Convenção da OIT (N.º 182) sobre a interdição das piores formas de trabalho infantil de 1999 , define-as como trabalho forçado ou obrigatório, como a utilização, o recrutamento ou a oferta de uma criança para fins de exploração sexual ou atividades ilícitas e trabalhos suscetíveis de prejudicar a saúde, a segurança ou moralidade da criança.

Fonte: CIG.

 

 

somos nós o vento

29.07.21, Alice Alfazema
 

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O mar é longe
O mar é longe, mas somos nós o vento;
e a lembrança que tira, até ser ele,
é doutro e mesmo, é ar da tua boca
onde o silêncio pasce e a noite aceita.
 
Donde estás, que névoa me perturba
mais que não ver os olhos da manhã
com que tu mesma a vês e te convém?
 
Cabelos, dedos, sal e a longa pele,
onde se escondem a tua vida os dá;
e é com mãos solenes, fugitivas,
que te recolho viva e me concedo
a hora em que as ondas se confundem
e nada é necessário ao pé do mar.
 
 
Poema de Pedro Tamen
(1934-2021)
 
 

Os fracassados

28.07.21, Alice Alfazema

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Ilustração Andreas Preis

O fracasso assola o nosso dia a dia, em todas as dimensões da nossa vida. Por causa do fracasso não se muda de opinião, de visual, de amizades, de amor, de emprego, de sonho. É pelo fracasso que nos esvaímos em stress e ansiedade. É pelo fracasso que não tentamos. É pelo fracasso que nos acomodamos à dor. É pelo fracasso que vemos os que tentam e fracassam, mais fracassados que os que nunca o fazem. 

No entanto, os fracassados são gente cheia de garra, fortes e resilientes, porque se expõem ao embate das opiniões, do medo,  e até da sua própria mente. 

Antes de nos vermos como vencedores devemos ser capazes de nos vermos como fracassados, até que a nossa mente se despoje de toda e qualquer emoção que gere dúvida e perda. Fracassar é algo natural no processo de aprendizagem de um vencedor. Vencer exige determinação e por vezes dor, mas fracassar exige muito mais que isso. 

O pensamento cuco

27.07.21, Alice Alfazema

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Ilustração Alice Rudolf

O pensamento cuco, vive nas cabeça mais distraídas de conhecimento. Sendo assim, os ovos alheios são colocados estrategicamente para serem chocados pelo incauto pensador, depois de eclodirem os cucos são exigentes com o seu cuidador, pedindo vezes sem conta para serem alimentados. À medida que o cuco cresce, torna-se evidente que o ninho se deforma, descaracterizando os vestígios originais. E aí ele voa, esquecendo-se de quem foi para ser quem é. Fica então o ninho vazio de cuco, que agora propaga a espécie, foi-se o outro definhando, já não sabe de onde veio. Cu-cu, cu-cu, cu-cu, canta o cuco sorrateiro esperando outro desprevenido.

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