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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Janela sem vidro

29.04.21, Alice Alfazema
 
Tenho quarenta janelas,
nas paredes do meu quarto,
sem vidros nem bambinelas,
posso ver através delas,
o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas,
que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea,
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza,
que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança,
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala,
à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa.

E o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio,
a que se chama poesia.

E a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade.

E o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro,
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.

Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra,
nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,
que vos pudesse rasgar,
com tanta janela aberta,
falta-me a luz e o ar.
 
Poema de António Gedeão

 

Porque o Dia da Mãe é sempre que um filho quer

28.04.21, Alice Alfazema

 

 

Mãe descobri que o tempo pára

E o mundo não separa o meu coração do teu

Eu sei que essa coisa rara

Aumenta, desassossega mas pára

Quando o teu tempo é o meu

 

Mãe canta com vaidade

Porque já tenho idade

Pra saber

Que em verdade em cada verso teu

Onde tu estás estou eu

 

Mãe contigo o tempo pára

Nosso amor é coisa rara

E cuidas de um beijo meu

Sei que em cada gesto teu

Está teu coração no meu

 

Mãe canta com vaidade

Porque já tenho idade

Pra saber

Que em verdade em cada verso teu

Onde tu estás estou eu

 

Se pudesse mandar no mundo

Parar o tempo à minha vontade

Pintava teu coração com as cores da felicidade

Em cada gesto teu

Está teu coração no meu

 

Mãe canta com vaidade

Porque já tenho idade

Pra saber

Que em verdade em cada verso teu

Mãe...

A nossa espera valeu

 

Poema de Martim Nunes Ferreira

25 de Abril

2021

24.04.21, Alice Alfazema

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Se pudesses escolher
que cor darias à liberdade?
 
Tens a certeza?
Mesmo depois de te ensinarem que
vermelhos são os campos,
verdes são os lírios e
azul é a tempestade?
 
A tua liberdade
é do tamanho do livre-arbítrio
multiplicado pela vontade.
 
Nunca uma coisa tão real
foi tão infinita
e nunca o infinito
foi tão limitado
para se tornar essencial.
 
Anda, vem brindar connosco;
— quem é livre de festejar
toma a sua liberdade por gosto!
 

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Poema de Ricardo Jorge Claudino

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