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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Já fui água

27
Jan21

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Ilustração  Giulia Neri

Quando era miúda lembro-me de ter partido um termómetro, daqueles de vidro e com mercúrio, tenho a ideia do liquido espesso a espalhar-se pelo chão, num cinzento metalizado, como prata. E para meu espanto aquilo transformava-se em bolinhas que se podiam separar e voltar a juntar,  numa dança hipnótica de vai e vem, unidas e separadas. Não tenho a noção de quanto tempo brinquei com aquilo, experimentando o processo vezes sem conta, com um lápis empurrava as bolas até se formarem uma, e outra vez a dividia.

 

 

Em sintonia

26
Jan21

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Ilustração Laimonas Šmergelis

Em sintonia o som se propaga até às memórias, e nelas fazemos analogias, faremos muitas se soubermos encadear as diversas origens, necessidades, causas, probabilidades. Numa outra dimensão, num mesmo terreno, sendo assim uma permacultura da sociedade, numa cultura permanente de gestão da degradação social. Pensar e conceber sistemas regenerativos às nossas necessidades e ao meio ambiente global, numa ética em acordo com o planeta e os seus seres vivos.

 

Cliché

25
Jan21

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Ilustração Ana Gaman

Andamos por aqui há tanto tempo, sempre com as mesmas questões, numa filosofia cliché. Como se fosse surpreendente não ser, ou ser e não dizer. O fui, mas já não sou. A vida e a morte. Amor e o desamor. Doença e saúde. Pobre que é rico, e rico que sabe que é pobre. O final feliz. O dia mais feliz da vida, quando ainda se vai a meio dela. Homem não chora. Mulher perde a beleza com o tempo, homem envelhece melhor. O melhor do dia. O pior da semana. O mês mais curto. O  annus horribilus

O futuro é logo ali

24
Jan21

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Ilustração Vytautas Laisonas

 

Que nunca deixemos de acreditar, porque o esforço vale o futuro, que ele seja melhor, que traga ideiologias inclusivas, programas e temas onde se discutam as ideias e não as imposições.

Como foi verificado, existe prova de que sozinhos valemos pouco, sem grande poder de escolha, mas quando nos juntamos na mesma frente, o mundo se torna outro, há então uma verdadeira concepção de que tudo passa a ser possivel. 

 

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

 

Poema de Ruy Belo, in Homem de Palavra(s)