Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Exposição fotográfica: O esplendor da vida submarinha

Museu Natural da Biodiversidade da Universidade de Évora

29.11.20, Alice Alfazema

polvo.jpg

Fotografia IX – Octopus vulgaris (Cuvier, 1797), Sesimbra| Autoria: © João Pedro Silva

 

Entre os animais que encontramos mais frequentemente debaixo de água, os polvos serão provavelmente os mais inteligentes. E cada polvo é diferente, tem personalidade, uns mais curiosos, outros mais tímidos, uns temerosos e outros assustadiços. Este em particular, tem uma história. Eu estava a fotografar pequenas lesmas marinhas (nudibrânquios) quando senti algo a envolver-me o braço e a puxar lenta mas firmemente. Olhei para o lado e vi um grande polvo, talvez no fim da sua curta vida, a largar o meu braço e a mover-se para a minha frente. E parou. Nesse momento, alterei a configuração da câmara e a posição dos flashes e tirei duas fotografias. E tão lentamente como chegou, começou a afastar-se. Fiquei com a nítida sensação de que me tinha pedido para o fotografar.

 

 

É muito gratificante aprender algo novo, e para mim é sempre surpreendente a partilha desse conhecimento. Então, deixo-vos aqui uma sugestão para que conheçam a nossa vida submarinha, com fotografia e textos de João Pedro Silva. Trata-se de uma exposição virtual, onde cada fotografia é acompanhada de um texto explicativo sobre a mesma. São recortes feitos em vários pontos da nossa costa, onde o colorido nos encanta na descoberta de pequenos mundos secretos. Podem ver toda a exposição fotográfica na revista Naturæ digital.

banner-editorial-naturae.png

Naturæ digital é uma revista de cultura científica com acento tónico na biodiversidade, na ecologia e nas alterações climáticas, privilegiando, como destinatários, os professores e os jovens de todos os escalões etários, e tendo em mira não só os ensinos regulares mas também a formação para a cidadania ambiental.

Neste óptica, daremos destaque às boas práticas ambientais empreendidas por instituições públicas e privadas, que incorporem uma preocupação com a preservação da natureza, a sustentabilidade ambiental e o fomento da economia circular.

Naturæ digital tem, na sua retaguarda, o Museu Virtual da Biodiversidade (MVBIO), um enorme repositório em contínuo crescimento, composto por fichas descritivas das espécies e habitats, ilustradas com recurso às tecnologias digitais de comunicação e imagem, à perícia de fotógrafos nacionais e estrangeiros e ainda à mestria dos ilustradores portugueses.

Naturæ digitalnão ignora que “de pequenino é que se torce o pepino” e, por isso, disponibiliza um conjunto diversificado de iniciativas lúdicas destinadas às classes de mais tenra idade, promotoras do conhecimento de animais, plantas e cogumelos.

Naturæ digital recorda Leonardo Da Vinci quando este afirma que “a ciência mais útil é aquela cujo fruto é mais comunicável” e convida a comunidade científica a partilhar o seu espaço de comunicação.

 

Jorge Araújo, Professor Catedrático Emérito da Universidade de Évora

 

 

Para verem a exposição e conhecerem a revista basta clicarem na imagem acima, terão também acesso ao Museu Virtual da Biodiversidade da Universidade de Évora.  

 

 

Az-zaytuna

28.11.20, Alice Alfazema

azeite.jpg

Ilustração Denis Sarazhin

 

Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

 

Poema de Olavo Bilac

 

Sou uma mãe...

:-)

27.11.20, Alice Alfazema

maçã.jpg

Ilustração Daniela Costa

 

Sou uma mãe que nunca guardou dentes ou cabelinhos dos filhos, sou uma mãe que não sabe qual foi a primeira palavra que disseram, tenho uma vaga ideia, sou uma mãe que não criou álbuns de fotografias com os filhos bebés, nem sei quando comeram pela primeira vez sopa, tenho uma vaga ideia. Sou uma mãe que nunca contou histórias de princesas à filha, nem lhe comprou vestidos pelo carnaval, sou uma mãe que nunca comprou acessórios de cozinha e limpeza para a filha brincar. Sou uma mãe que nunca fez festas de anos para os filhos com os amiguinhos. Sou uma mãe que nunca pertenceu a grupos de mães. Sou uma mãe que nunca teve favoritos.

Sou uma mãe que sempre ofereceu livros, jogos, lápis de cores, puzzles e instrumentos musicais aos filhos em todas as ocasiões e mais algumas. Sou uma mãe que lhes escrevia palavras "difíceis" e depois lhes dava o dicionário para que procurassem o significado. Sou uma mãe que escrevia um titulo para uma redacção e lhes dizia que escrevessem x linhas sobre o assunto, e o texto tinha que conter o quando, o onde, o como, e o porquê.  Sou uma mãe que contava uma história todos os dias antes de irem dormir. Sou uma mãe que faz vozes de animais e teatrinhos para que entendam as mensagens que a vida nos pode trazer. Sou uma mãe que ouve. Sou uma mãe que obrigava os filhos a verem e ouvirem os vários lados de cada situação.  Sou uma mãe que pergunta muito mais do que responde. Sou uma mãe que faz festas de anos com a família. Sou uma mãe que gosta de férias. Sou uma mãe que espera pelos filhos para jantarmos todos juntos. Sou uma mãe franca quando os assuntos são sobre lições para a vida. Sou uma mãe que nunca esperou ser mãe.

 

 

Pág. 1/6