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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dia de Portugal

10 Junho de 2020

10.06.20, Alice Alfazema

portugal.jpg

 

O documento mais antigo, existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, com a palavra-sinal de Portugal. Trata-se da carta de doação pelo infante D. Afonso Henriques a Egas Ramires da igreja de São Bartolomeu de Campelo. Datada de 28 de julho de 1129.

 

Texto:  Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas

Ver mais em: Arquivo Nacional Torre do Tombo.

 

 

A escola fora da sala de aula :)

08.06.20, Alice Alfazema

A Maribel diz que tem saudades das aventuras da malta que frequentava a escola, lembrei-me de tocar aqui a campainha para o intervalo, se quiserem fazer uma visita e matar saudades é só clicar em: Conversas da escola, o meu outro blogue que estava  no fundo do baú das horas e dos dias passados, limpei as teias de aranha, aquilo era do tempo em que eu não estava (confinada) atrás do balcão. Podem ver pela data. Há muitas luas atrás, eu recolhia bilhetes e bilhetinhos, conversas e conversetas, ria-me e ralhava, num tempo em que nunca me ocorreu que isso deixasse de ser o dia-a-dia de uma escola e o meu. 

Comentários digitais

07.06.20, Alice Alfazema

malmequer.jpg

 

 Aqui estou eu a tentar tirar uma fotografia ao malmequer rebelde que nasceu fora do canteiro, e às  outras flores que seguiram no mesmo caminho, aproveitam agora para crescer que a malta está em casa, confinada, e não anda por aqui por cima de toda a folha. Tenho a acrescentar que o enquadramento não ficou grande coisa porque disparei - ao mais ao menos - porque não tinha os óculos, o que acontece com alguma frequência. Até parece que a flor se está a rir. Ou é impressão minha? 

 

Quando eu tinha dez anos, fui para o 5º ano, nessa altura dizia-se 1º ano do ciclo preparatório, os alunos podiam escolher entre frequentar a disciplina de inglês ou a de francês, escolhi a última, umas turmas eram à tarde as outras de manhã, e à conta disso fiquei sem nenhum colega da primária, todos tinham escolhido o inglês, portanto para além de ser uma escola diferente era também uma turma completamente nova, com alguns alunos repetentes, já grandotes e todos rapazes, o que para quem aparece de novo e tem quase metade do tamanho deles era bastante intimidante. 

 

Não me lembro de como a turma era distribuída em cada disciplina, mas a mim calhou-me um daqueles mastruços grandes e já sabidos. No primeiro dia a coisa não correu lá muito bem, no segundo dia...na aula de matemática, o rapaz enquanto a professora escrevia no quadro, decidiu por a mão na minha perna, não gostei e avisei-lhe, a professora continuava a escrever no quadro, e ele a por a mão na minha perna e a dizer "gracinhas", já o tinha avisado no dia anterior, já o tinha avisado agora, a fúria subia por mim acima, não gosto que invadam o meu espaço, não gosto que me obriguem a nada, e não gosto de gente armada em esperta, peguei na caneta, uma Bic azul, empunhei-a no ar e espetei-lha no braço, como quem dá uma vacina, senti o bico da caneta a perfurar a carne dele, ele levantou-se e gritou ao mesmo tempo, ficou tudo a olhar, a professora virou-se e perguntou o que se tinha passado, ele respondeu primeiro, disse que eu lhe tinha espetado a caneta no braço, depois foi a minha vez de dizer o que ele me tinha feito, e de como eu o tinha já avisado para parar com aquilo, porque não queria que ele mexesse na minha perna, estava tudo em silêncio, apenas a minha voz, calei-me e a professora falou: que podíamos levar falta a vermelho, e depois íamos os dois para a rua, mas como ainda era a segunda aula de matemática isso não ia acontecer, mas que não se voltasse a repetir. Eu disse que não queria mais sentar-me ao lado dele. Naquela aula não mudei de lugar, mas nas outras seguintes nunca mais me sentei lado dele, entretanto até a aula terminar o rapazito ameaçou-me que lá fora logo via, com a fúria que havia em mim já nada ouvia. A aula terminou e fomos para o pátio, qual não é o meu espanto quando todas as raparigas me rodeiam e me protegem do rapaz, uma que era da altura dele até o ameaçou, escusado será dizer que nunca mais me chateou, nem a mim nem às outras, (são livres de pensar que eu não deveria ter feito aquilo).

 

Naquele tempo era normal haver apalpões à saída da escola, os rapazes juntavam-se propositadamente para isso, havia uma impunidade e até condescendência perante estas atitudes, assim como acontecia nos transportes públicos e provavelmente noutros locais. Já nem sei porque me lembrei de contar isto, mas tem algo de muito parecido com o que hoje acontece nos comentários nas redes digitais, onde a intimidade de cada um é enxovalhada perante os outros, quando digo intimidade refiro-me não só à pessoa em si, mas àquilo que escreve, àquilo que partilha, à sua opinião perante factos da sua vida e da maneira como vê o mundo, onde outros sem se importarem manifestam-se sem o mínimo de cuidado com a linguagem que utilizam e querem impor-se como se lhes fosse um direito assistido, achando-se frontais, mas na realidade trata-se apenas de utilizar por palavras  a sua malvadez.

 

O gozo e a satisfação que se dá atrás de um ecrã manifestamente será a mesma que poderia haver entre uma discussão de rua, mas aqui é mais fácil, e o alcance é maior que apenas uma ou duas pessoas, a coberto de umas linhas julga-se poder dizer tudo o que se pensa sem que isso deva parecer outra coisa do que uma mera opinião. A mesma bitola deve ser aplicada quando invadimos o espaço de alguém seja no mundo real ou no virtual, no entanto aqui as palavras, as "opiniões" impostas, os juízos de valor, são como o vírus que anda por aí, sabemos dele, mas não sabemos bem por onde anda.