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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Via

05.09.19, Alice Alfazema

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Ilustração Isabelle Cardinal

 

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

 

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

 

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

 

 

Soneto de Olavo Bilac

 

 

 

 

Dias de tigre

04.09.19, Alice Alfazema

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Pintura Sandrot

 

Há dias e dias, há dias de tigre, de fugir e ficar no mato, de subir e ficar à espreita. De rosnar e mostrar os dentes. De enfrentar e olhar nos olhos. Há dias em que é preciso fazer uso da camuflagem. De levantar a pata e sacudir quem estiver à frente. De descanso. De caçar as gazelas. De exibir um andar magestoso.  De voltar e deixar ir.