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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Orai

17.09.19, Alice Alfazema

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— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

 

 

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Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.   

 

 

Poema de Miguel Torga

Riscas

15.09.19, Alice Alfazema

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Fotografia Andy Howe

 

 

Para quem começa amanhã uma nova etapa: desejo-vos um tempo de riscas, claras e escuras, sim, porque nem sempre vai ser bom, mas tal como as riscas, a vida é feita disto e daquilo e muitas vezes o aquilo é melhor que isto, mas tem dias que o isto é melhor que aquilo, por isso é aproveitar ao máximo e fazer disso um postal cheio de experiências e aprendizagens que mesmo desiguais se juntem e vos levem para um futuro bom e aconchegante, sim porque as riscas também podem ser mantas ou almofadas.

Bocage o Elmano Sadino

15.09.19, Alice Alfazema

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Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia - o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
Que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou a vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu, sem ter dinheiro."

 

 

Poema de Bocage, nascido em Setúbal a 15 de Setembro de 1765

Vindimar o voto

14.09.19, Alice Alfazema

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Nas beijativas os candidatos distribuem beijinhos e abracinhos sem ligarem a odores. Podem até trocar de piolhos. É com alegria que descrevem as suas intenções para os próximos quatro anos. Nesses momentos a sua memória consegue alcançar as mais diversas camadas sociais, lembram-se dos pobres, dos velhos, dos que trabalham nas bancas dos mercados, dos que estão no interior, dos desempregados, dos que ganham pouco... é uma vindima de gente, todo bago dá vinho. 

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