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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

#diariodagratidao 04-06-2019

04.06.19, Alice Alfazema

relógio.jpg

 

Ilustração  Robert Dunn

 

 

O som do relógio

Tem a alma por fora,

Só ele é a noite

E a noite se ignora.

 

Não sei que distância

Vai de som a som

Rezando, no tique

Do taque do tom.

 

Mas oiço de noite

A sua presença

Sem ter onde acoite

Meu ser sem ser.

 

Parece dizer

Sempre a mesma coisa

Como o que se senta

E se não repousa.

 

 

Poema de Fernando Pessoa

 

Baixar a cabeça

04.06.19, Alice Alfazema

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Ilustração  Catherine G McElroy

 

Quando baixas a cabeça sentes o aroma do café, quando baixas a cabeça vem-te à memória outros cafés. Sentes as férias e os dias felizes, sentes os dias de frio intenso, sentes que pertences ao mundo, sentes que as mãos que cuidaram destes grãos o fizeram com esmero. Sentes que é um privilégio poder saboreá-lo em paz ouvindo o cântico dos pássaros. É manhã fresca, é um outro dia, e aquele sabor que te percorre a garganta deixa-te feliz.