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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Férias

30.06.19, Alice Alfazema

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Ilustração Tiziana Rinaldi

 

Este blog vai de férias, não sei se colocarei aqui alguma coisa, se houver tempo deixarei rasto de mim. Preciso descansar e sobretudo pensar em mudança, preciso que o meu quotidiano mude para desafios e deixar a rotina que me cansa para trás. Quero deixar de nadar contra marés, levantar âncora, mesmo que o meu barco seja velho, quero pintá-lo de outras cores e voltar à minha velha energia, aquela que me alegrava. Despegar-me de situações tóxicas, alinhar o pensamento, ariscar, criar uma nova fronteira. Quero cuidar de mim, abandonei-me em função dos outros, parece que não deram por isso, entretanto desde que comecei a pensar mais em mim aconteceram coisas estranhas, ou seja o véu levantou-se e começou o verdadeiro teatro: o da vida sem filtros. E é isso que me interessa a partir de agora. 

 

Até já.

 

Ida ao médico

29.06.19, Alice Alfazema

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O Ginjas foi ao Veterinário levar as vacinas e fazer um exame geral, incluindo termómetro...cortou as unhas e foi pesado, tem agora sete quilos e pouco. Esteve com o açaime na focinheira durante a examinação corporal, porque em termos de dentadas não é de confiança. No final, tirámos o açaime e colocamos-lhe a trela. A veterinária foi muito atenciosa e ele nem piou durante o tempo que esteve lá. No fim ela deu-lhe um biscoito, ele olhou para ela de lado, revirando os olhos, virou então o focinho para a porta, não aceitando o biscoito, há que ter dignidade e o Ginjas não é um vendido. 

#diariodagratidao 28-06-2019

28.06.19, Alice Alfazema

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Ilustração Isabelle Bryer

 

Gosto quando alguém partilha comigo a sua felicidade, é para mim um grande sinal de confiança, de amizade, de companheirismo e de amor. Partilhar as maleitas é fácil, são queixas, é despejar o lixo que há em nós. Partilhar alegria é outro estado de alma, que apenas pertence aos seres superiores e aos audazes. 

 

Orla

26.06.19, Alice Alfazema

Desde a orla do mar
Onde tudo começou intacto no primeiro dia de mim
Desde a orla do mar
Onde vi na areia as pegadas triangulares das gaivotas
Enquanto o céu cego de luz bebia o ângulo do seu voo
Onde amei com êxtase a cor o peso e a forma necessária das conchas
Onde vi desabar ininterruptamente a arquitectura das ondas
E nadei de olhos abertos na transparência das águas
Para reconhecer a anémona a rocha o búzio a medusa
Para fundar no sal e na pedra o eixo recto
Da construção possível.

Desde a sombra do bosque
Onde se ergueu o espanto e o não-nome da primeira noite
E onde aceitei em meu ser o eco e a dança da consciência múltipla

Desde a sombra do bosque desde a orla do mar

 


Caminhei para Delphos
Porque acreditei que o mundo era sagrado
E tinha um centro
Que duas águias definem no bronze de um voo imóvel e pesado
Porém quando cheguei o palácio jazia disperso e destruído
As águias tinham-se ocultado no lugar da sombra mais antiga
A língua torceu-se na boca da Sibila
A água que primeiro eu escutei já não se ouvia.



Só Antinoos mostrou seu corpo assombrado
Seu nocturno meio-dia

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

#diariodagratidao 25-06-2019

25.06.19, Alice Alfazema

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Ilustração Elisa Chavarri

 

 

Quantas vezes o futuro nos parece tão distante? E no fim ele chega e parte todos os dias sem darmos por ele, vem de mansinho, fazer-nos cócegas no pescoço. Às vezes o futuro é um osso duro de roer, demora a passar, às vezes é veloz, como uma gazela que foge ao leão. Umas vezes o futuro é um sonho, outras é realidade. Pode ser surpresa, pode ser luz, amor ou felicidade. Pode ser aquilo que quisermos e o que não quisermos, mas importa acontecer, porque cada vez que acontece transforma-se em oportunidade.

 

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