Quantas Matryoshkas tens dentro de ti

Ilustração Monica Barengo
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Ilustração Monica Barengo

Ilustração Julia Korpushova
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Poema de Alberto Caeiro

_ Lembra-se do tempo em que eu passava tardes e tardes costurando?
_ Lembro-me, mãe. Eram tantas filhas, tantas roupas!
_ A maior parte das vezes, eu só fingia que costurava.
_ Fingia? Fingia para quê?
Os homens não gostam que as mulheres pensem em silêncio. Nascem-lhes nervosas suspeitas.
_ Enquanto ia costurando, o seu pai não imaginava que eu estava pensando. Minha cabeça viajava por todo lado.
Nesses escassos momentos, Constança era mulher sem ter que pedir licença, existindo sem ter que pedir perdão.”
Mia Couto, em “O outro pé da sereia”.

Ilustração Francis Kilian
Desde sábado que não faço aqui o diário da gratidão, tornou-se um hábito do qual eu gosto, e gostaria muito de fazê-lo até ao final do ano, mas no sábado fui passear e fartei-me de caminhar, cheguei a casa tão cansada que fui dormir sem pensar em mais nada a não ser em por a cabeça na almofada e sentir a maravilhosa sensação de esticar as pernas, assim deixei esse dia em branco, e mais outro e outro. Então eis que estou aqui de novo para celebrar o dia depois do outro e o cansaço que não me larga, e a vontade de o mandar às favas.![]()
Temos que melhorar, cada vez mais, as competências que adquirimos ao longo da nossa vida, devemos acolher diversas experiências, vocacionadas para as mais variadas áreas.
- Há Yoga na escola, participa! Inscreve-te blá, blá...
Chega o grande dia...
Chega a hora tão aguardada...
Vamos praticar...
Aprender...
- É pá, a sala onde está a haver Yoga cheira a chulé que não se pode.
- Foram os do nono.

Ilustração Alfonso Cuñado
Um abraço a todas as mães daqui do bairro e arredores.


Ilustração Sam Chivers
Encerrando Ciclos
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Ilustração Ricardo Solís
Porque o amor é simples,
Vale a pena colhê-lo.
Nasce em qualquer degredo,
Cria-se em qualquer chão.
Anda, não tenhas medo!
Não deixes sem amor o coração!
Poema de Miguel Torga
Ilustração Alessandro Gottardo