Conversas da escola - Chiba
- Ó Contina, não vá chibar-se...
- Não vou? Ai isso é que vou. O meu trabalho aqui é chibar-me.
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- Ó Contina, não vá chibar-se...
- Não vou? Ai isso é que vou. O meu trabalho aqui é chibar-me.

Ilustração Rafal Olbinski
Cheguei a casa e descansei, não pus os pés na Lua, mas retirei-os do chão. Continuo a surpreender-me com a subtileza do mal, com os sorrisos descarnados de empatia. Sentei-me e desejei por os pés na Lua, mas a minha perna era demasiado curta.

Ilustração Seungeun Suh
- Quero um chá, estou muito mal disposto.
- Toma lá, pões o açúcar, mexes bem e vais bebendo aos poucos, vais ver que ficas melhor.
O miúdo leva a chávena e senta-se numa das mesas, no entanto diz a uma da minhas colegas.
- Fiquei sem perceber se ponho o açúcar debaixo da língua, mexo o chá e bebo, ou se ponho o açúcar no chá, mexo e bebo.
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Ilustração Renia Metallinou
A generosidade mora aqui perto, talvez dentro de ti, ou de mim, ou dele. De todo aquele que dá sem receber. Que não procura, mas encontra. Nasce de um coração grande onde crescem vontades diferentes de ser e de ter. ![]()
Saio do autocarro e subo a ladeira para ir trabalhar, é manhã cedinho, há um fresco bom no ar, é como se as Árvores me cumprimentassem ainda cheias de orvalho, duas rolas estão no fio da electricidade, às vezes voam até ao topo das árvores. Olham-me. Há um canto de pássaros que paira no ar. Carrego a minha mala ao ombro, está pesada, na mão levo a minha lancheira colorida com o almoço. Pressinto passos apressados atrás de mim, é como se eu conhecesse os passos e as vozes mesmo sem ser necessário ver, um conhecimento que não sei explicar.
- Olá Contina! Bom-dia!
- Bom-dia!
- Sabe de uma coisa? O meu pai sai hoje em precária.
- Que bom! Já tinhas saudades dele?
- Sim.
Continuámos os dois a subir aquela ladeira sem darmos conta do peso da vida, apenas daquilo que é importante.

Ilustração Chris Chun