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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Entre a ponte e o céu

20.04.19, Alice Alfazema

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Eu estava na ponte e dei um salto até à outra margem, vi homens e mulheres vagueando apressadamente pelas ruas da cidade. Todos os dias era  a mesma coisa, passavam a ponte de um lado para o outro, num lado descansavam, no outro andavam apressados em rebanhos de gente que tem de cumprir horário. 

 

À noite a ponte iluminava-se e dava as boas-vindas aos astros e aos morcegos, corujas também lá apareciam. Um dia uma estrela ficou presa num pilar da ponte, julgava que aquelas luzinhas eram estrelas pequeninas e ia tentar ajudá-las, mas não, aquilo era coisa de gente, era iluminação para  acrescentar o dia e imitar a noite. 

 

A estrela ficou lá presa durante toda a noite, ela bem que tentou libertar-se, mas cada vez se enroscava mais naquele emaranhado de armações e parafusos, por fim resignou-se e deixou-se ficar quieta, à espera que as suas forças a abandonassem, sabia que não iria ter forças para voltar ao céu e já tinha saudades da vista lá de cima. Adormeceu.

 

Chegaram as primeiras horas da madrugada, os primeiros raios de sol vieram cumprimentá-la, a estrela acordou e viu-se a diminuir de tamanho, ficou tão pequenina que ninguém a conseguia ver, nisto eleva-se como que por magia, estava tão leve que num instante chegou ao pé das suas irmãs estrelas e lá do alto ficou a contemplar aquela ponte que unia as pessoas e que à noite parecia ter estrelas a brilhar para lembrar que o céu não fica assim tão longe.

#diariodagratidao 20-04-2019

20.04.19, Alice Alfazema

 

Hoje fui passear, fartei-me de andar à beira-mar, esteve um dia bonito e solarengo, durante o passeio encontrei esta porta... é uma porta misteriosa, que tem uma mensagem sobre o futuro...

 

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Quem quer saber do futuro?... Encontra a resposta nesta porta...

 

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Passeio com o Ginjas

19.04.19, Alice Alfazema

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O meu marido hoje foi passear o Ginjas pela manhã, na rua um casal caminhava lado a lado, a mulher ia falando com alguma insistência para o homem. O homem ia calado, então aproximou-se do meu marido  e pediu-lhe para fazer uma festa ao Ginjas:

 

- Posso fazer uma festa?

- É melhor não, ele é pequenino, mas é muito refilão.

- Então é como a minha mulher, é pequenina, mas refila muito.

 

Neste momento a mulher afasta-se a sete pés...o que se passou a seguir ninguém sabe, mas pode ter acontecido que a mulher tenha mordido o homem. 

#diariodagratidao 18-04-2019

18.04.19, Alice Alfazema

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Ilustração  José Rosero

 

Imaginemos que misturamos todas as nossas vivências, e as pomos assim dentro de um passador, deixamos apodrecer esses dias até escorrer uma tinta, na qual escreveremos o resto da nossa história. De que cor seria o fim da tua história? Escura? Clara? Colorida? Acrescentarias algum tom em especial? Deixarias a tinta escorrer sem nunca a utilizar?

 

800

17.04.19, Alice Alfazema

Há pessoas que julgam que trabalham muito. Que fazem muito, que não descansam, que têm dores, mas continuam, que ultrapassaram muitos obstáculos e venceram muitas batalhas, que são resilientes, que não vivem de oportunidades, mas de objectivos, e que são capazes de jurar a pés juntos que fizeram tudo sozinhos, há pessoas que falam mais do que aquilo que trabalham.

 

Há pessoas que julgam que os outros trabalham pouco, que só fazem o que lhes mandam, que não têm dores, nem preocupações, nem responsabilidades, que não concretizam objectivos, são pessoas que estão ali e mais nada, sem importância, sem saberem descrever o que fazem, sem utilizarem os melhores adjectivos sobre os seus dias de trabalho, são uns seres que nem damos por eles. Hoje são 800, mas podem haver mais por aí. 

Faro, Abril de 2019 - Em Portugal não se respeitam as árvores

16.04.19, Alice Alfazema

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Fotografia Amélia Santos, ver mais aqui.

 

Um pouco por todo o país, nas mais diversas cidades e vilas, vêem-se estas podas radicais em árvores de grande porte, não se compreende como são autorizadas. É como se as árvores fossem um inimigo a abater. Quem vive numa zona urbana não tem o direito de usufruir deste património natural, no entanto descontamos bastante para o poder local, para que existam espaços verdes, e espaços verdes não são apenas arbustos, umas florzinhas aqui e ali, que se mudam de vez em quando para dizer que se vai fazendo alguma coisa. 

 

Quem autoriza isto, não tem o mínimo de respeito pela natureza, nem de quem habita nela, porque raspar uma árvore implica, cortar ninhos, cortar toda a vida que existe nela. 

 

É horroroso pensarmos na cidade vista desta forma, desformatada na sua altivez e no seu equilíbrio entre o meio ambiente e as pessoas. Parece que houve uma catástrofe natural, quando o que houve foi simplesmente uma moto-serra e alguém empoleirado num daqueles elevadores portáteis a raspar todo o tronco sem perceber nada daquilo que está a fazer. Vão-se os ninhos, os ramos para os pássaros poisarem, vão-se os polinizadores, vai-se tudo, fica apenas o tronco, numa amputação permitida pelos senhores autarcas que tanto apregoam mundos e fundos nas campanhas eleitorais. 

 

Muitas destas podas são feitas na primavera o que torna a coisa mais arrepiante é o holocausto de vários jardins e avenidas, da sombra fresca no verão, do canto dos pássaros ao final da tarde e no começo da manhã, é a vida que é preterida pelos interesses mais básicos das economias pensadas a curto prazo.

 

Cada árvore é um monumento vivo, não sei como isto tudo passa impune no nosso dia a dia. Nem sei como as poderemos defender...

 

Em Portugal não se respeitam as árvores!