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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

#diariodagratidao 27-03-2019

27.03.19, Alice Alfazema

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Ilustração Basak Notz

 

 

Ó passar-se invisível pela alma da alameda de casas espaçosas

Imaginando a feição ideal dentro de cada uma!

Ir recebendo um pouco de poesia no peito

Sem lembranças do mundo, sem começo…

Chegar ao fim sem saber que passou

Tranqüilo como as casas,

Cheio de aroma como os jardins.

Não contar nada a ninguém.

Não tentar um poema.

Nem olhar o nome na placa.

Invisível, deixar apenas que a emoção perdure

Fique na nossa vida fresca e incompreensível

Um mistério suave alisando para sempre o coração.

Singular, tão singular.…

 

 

 

Poema de Manoel de Barros

 

Um final de dia

27.03.19, Alice Alfazema

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Hoje no final do meu dia de trabalho pus-me a ver a Primavera debaixo desta árvore, à minha direita o Sol já ia baixo, numa corrida para apanhar a serra. Fico sempre maravilhada com a Mãe Natureza, para mim a única religião. Tirei o telemóvel e fotografei a árvore, enquanto o fazia uma colega passou de carro e buzinou-me. A malta gosta de se meter comigo. 

 

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As árvores crescem sós. E a sós florescem.

 

Começam por ser nada. Pouco a pouco

se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

 

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,

e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

 

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Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,

e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,

e os frutos dão sementes,

e as sementes preparam novas árvores.

 

 

 

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E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.

Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.

Sós.

De dia e de noite.

Sempre sós.

 

Os animais são outra coisa.

Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,

fazem amor e ódio, e vão à vida

como se nada fosse.

 

As árvores, não.

Solitárias, as árvores,

exauram terra e sol silenciosamente.

Não pensam, não suspiram, não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;

com o vento soltam ais como se suspirassem;

e gemem, mas a queixa não é sua.

 

Sós, sempre sós.

Nas planícies, nos montes, nas florestas,

A crescer e a florir sem consciência.

 

Virtude vegetal viver a sós

E entretanto dar flores.

 

O poema é de António Gedeão

 

Coisas do nosso tempo - Testes adaptados

27.03.19, Alice Alfazema

Agora há uma ultra modalidade de avaliação escolar: testes adaptados. Não são testes para alunos com necessidades educativas especiais, são testes para aquilo que o aluno sabe. Portanto é assim, a avaliação tem a ver com aquilo que o aluno sabe, se sabe pouco adapta-se o teste à sabedoria, se sabe mais ou menos faz-se a mesma coisa e por aí fora. No final a nota é dada por avaliação do teste apresentado. Há quem já ande a dizer "o meu teste era mais fácil que o teu". Sendo assim nas pautas podem estar duas notas iguais, uma adaptada e outra não. Como dizia o outro" e o burro sou eu?".