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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Nazaré

22.01.19 | Alice Alfazema

Estou encantada com a obra de Artur Pastor, fotógrafo português do século XX que retratou Portugal, as suas gentes, o quotidiano, a miséria que se vivia à época, mostrando através da sua lente pormenores que escaparam por entre os tempos. Escolhi esta fotografia para colocar aqui, porque me parece que a delicadeza e a sensualidade do plano leva para segundo lugar toda e qualquer miséria que possa existir nestas vestes já rasgadas e na dureza que deveria ser viver do mar. Podem conhecer parte da obra de Artur Pastor aqui.

 

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Fotografia Artur Pastor

 

Nunca pintes a fachada

Que a nazarena é assim

Sempre de cara lavada

Como a pedra de Guilhim

 

Na cabeça o cachené

Saia comprida e rodada

És mulher da Nazaré

Nunca pintes a fachada

 

Com sete saias vestidas

E um avental de cetim

Casaco de cores garridas

Que a nazarena é assim

 

Tens a fama e o proveito

De mulher viva e atinada

E por trajares a preceito

Sempre de cara lavada

 

Mostras bem a tua beleza

Não precisas de carmim

És bela por natureza

Como a pedra do Guilhim

 

 

 

Poema  Maria da Nazaré

 

 

 

#diariodagratidao 22-01-2019

22.01.19 | Alice Alfazema

 

Ilustração Yuji Kanamaru

 

 

 

“Ela crescia nos sonhos, digo a Roberto enquanto pintamos o cartaz. A Árvore das Palavras. Para contornar o seu tronco seriam precisas nove luas. E cada folha era extensa como um voo de pássaro.”

 

“ Viver é muito fácil, porque meço a partir de ti o norte e o sul. Basta que existas para que os meridianos se arrumem e os oceanos não transbordem.”

 

 

 Teolinda Gersão Moreno, in A Árvore das Palavras

 

 

É bom encontrar palavras que nos aguçam o pensamento.

Dez anos depois

20.01.19 | Alice Alfazema

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Este tipo de agricultura intensiva causa a erosão dos solos, a destruição de linhas de água e a eliminação de corredores ecológicos, além do aumento do uso de fertilizantes e pesticidas que contaminam os sistemas de água.

 

A recolha das azeitonas é feita à noite o que leva à mortandade de muitas espécies de pássaros. O olival intensivo tem um custo ambiental insuportável para as gerações futuras, diminuindo a biodiversidade e descaracterizando a paisagem natural, contaminando as linhas de água. Em Beja tapam-se ribeiras, retiram-se pedras, desfazem-se de tudo que possa retirar o lucro, não se ouvem chilreares, nem morcegos, apenas dinheiro fácil, porque nem empregos nem nada que valha a pena.  

 

Triste é ver que não evoluímos, dez anos depois, estamos à beira de criar um deserto. 

 

 

#diariodagratidao 20-01-2019

20.01.19 | Alice Alfazema

 

Hoje é domingo, e como sempre aos domingos a miúda ensaia cá em casa na sua flauta transversal, isto acontece quase sempre que estou a tomar um duche, enquanto isso ela toca, faz vibrato e toca. Sei que poucas pessoas se podem dar a um luxo destes, ouvirem um concerto ao vivo enquanto se banham. 

 

Hoje estou grata por ter este privilégio, é aproveitá-lo antes que se acabe. 

 

 

 

Flautista Yeojin Han

 

 

Gestos

20.01.19 | Alice Alfazema

 

Ilustração Anna Franczuk

 

 

Abejaruco.
En tus árboles oscuros.
Noche de cielo balbuciente
y aire tartamudo.

 



Tres borrachos eternizan
sus gestos de vino y luto.
Los astros de plomo giran
sobre un pie.
Abejaruco.
En tus árboles oscuros.

 



Dolor de sien oprimida
con guirnalda de minutos.
¿Y tu silencio? Los tres
borrachos cantan desnudos.
Pespunte de seda virgen
tu canción.
Abejaruco.
Uco uco uco uco.
Abejaruco.

 

 

Federico García Lorca 

 

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