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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Feliz 2019!

31.12.18 | Alice Alfazema

 

Ilustração  Anna Gensler 

 

 

 

Estamos nos finalmentes, e aguardamos esperançados pelo Ano-Novo: 2019! Queremos sentir na pele aquele formigueiro da novidade. Que ele seja repleto de criatividade, cor e alegria. Muita saúde, amigos e oportunidades de sucesso! Que ele contenha também resilência, sentido crítico, consciência ecológica e inteligência emocional. Que o vosso coração vibre de milhentas emoções neste ano novo que se avizinha.

 

Desejo-vos um excelente 2019!

 

Postal ilustrado - 2019

30.12.18 | Alice Alfazema

 

Ilustração Mar Azabal

 

 

É esta a completude dos dias

Quando se reúnem sobre a cidade

Os sossegos da nossa idade já meiga.

São estas as palavras que ficam

Desde o interior do nosso mais antigo nome.

 

É o inverno aberto de janeiro

Com as árvores despidas e o frio azul,

É o ano que começa no tempo que é nada,

Os bolsos que se enchem de mãos,

As casas que parecem mais juntas.

 

Por esta altura estarão a nascer

As horas mais felizes das nossas vidas

- bebemos chá escutando o lume

E amanhã será um dia a menos,

Um outro som acrescentando à voz,

Um abraço fechando-se até ao amor.

 

 

 

Poema Vasco Gato

#ExpressionOfHope

29.12.18 | Alice Alfazema

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Quando me diagnosticaram a doença de Pompe, o terreno do meu futuro escureceu temporariamente. Rapidamente aprendi a navegar a vida um dia de cada vez e a ultrapassar os desafios físicos e as incertezas, ao entregar-me plenamente ao presente. De repente, os detalhes supérfluos da vida ou as preocupações ficaram à margem e a minha vida manteve uma certa clareza: do que nada importa mais do que fazer a diferença no mundo.

 

Ilustração e texto Rebecca Brooks

 

 

É a esperança que serve de guia para o Expression of Hope, uma iniciativa que tem o objetivo de sensibilizar para as Doenças Lisossomais de Sobrecarga (DLS). Através da arte, uma linguagem universal que comunica o que por vezes nem as palavras conseguem, o desafio foi lançado e aceite por aqueles que, afetados por estas doenças genéticas raras, criaram uma obra de arte original que reflete como se vive com uma DLS. Com o apoio de Associações de doentes de todo o mundo, esta iniciativa criada em 2006, apresenta agora a sua terceira edição, onde 25 artistas partilham as suas histórias, incertezas, dificuldades e sobretudo a esperança.

 

Em Portugal, Expression of Hope, conta com o apoio da Aliança Portuguesa de Associações de Doenças Raras.

 

Para ver a exposição clique Expression of Hope

 

 

Por cada partilha estará a contribuir com 0,50€ para a Aliança Portuguesa das Doenças Raras. Selecione a sua obra favorita e envie uma mensagem de esperança a quem mais necessita, partilhando-a nas suas redes sociais com #ExpressionOfHope. 

 
logo

 

Chá de fim de ano

29.12.18 | Alice Alfazema

 

 

Ilustração Paul McKnight

 

Tenho cá por casa, em muitos sítios, muitos textos escritos por mim, este que vou deixar aqui hoje já não me lembro de quando o escrevi, também me acontece ficar surpreendida com aquilo que escrevo, não me lembro de ter escrito aquilo, poderia escrever muito mais, mas as ideias fogem-me, esqueço-me delas, são como bolas de sabão, puf, já se foram.

 

Sentem-se confortavelmente e bebam comigo este chá de fim de ano:

 

Qual a diferença entre um beijo de cão e um beijo de gato? Serão os beijos coisas palpáveis em termos de contabilidade emocional? Seremos nós os únicos que nos iludimos com um beijo?

 

Deixei o meu beijo em cima do balcão, ficou ali escondido atrás do copo de água. Quando alguém o bebesse poderia levá-lo e ele voaria acima do mundo. Os beijos são borboletas? Estarão em estado de casulo até se dar a transformação? Existem beijos que são traças e que só saem à noite. Existem também beijos que são bonitas mariposas, de muitas cores. Alguns atravessam rios e oceanos, explodem quando conseguem encontrar parceiro.

 

Os beijos são coisas únicas, tais como impressões digitais. É teu é meu, mas também pode ser nosso. Sai da boca, vem do coração, é um indicador de felicidade? Há beijo morno, beijo quente, beijo frio, sem cor, sem sabor, sem entusiasmo, há beijos trocados, exigidos, dados. Um beijo meu, um beijo teu, um beijo nosso. 

 

💋

 

 

 

 

 

Pedalar no tempo

27.12.18 | Alice Alfazema

 

Ilustração Olga Salamatova

 

Aí, de repente, os meus olhos se abriram, e vi como nunca havia visto. Senti que o tempo é apenas um fio. Nesse fio vão sendo enfiadas todas as experiências de beleza e de amor por que passamos. Aquilo que a memória amou fica eterno. Um pôr do sol, uma carta que recebemos de um amigo, os campos de capim-gordura brilhando ao sol nascente, o cheiro do jasmim, um único olhar de uma pessoa amada, a sopa borbulhante sobre o fogão a lenha, as árvores de outono, o banho de cachoeira, mãos que se seguram, o abraço de um filho: houve muitos momentos de tanta beleza em minha vida que eu disse para mim mesmo: "Valeu a pena eu haver vivido a minha vida só para poder ter vivido esse momento. Há momentos efémeros que justificam toda uma vida".

 

Rubem Alves

 

 

 

Depois

25.12.18 | Alice Alfazema

Ilustração Annya Kai

 

 

Depois do dia vem noite,

 

Depois do dia vem noite,

Depois da noite vem dia

E depois de ter saudades

Vêm as saudades que havia.

 

 

 

Fernando Pessoa

 

É Natal outra vez

24.12.18 | Alice Alfazema

 

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Roubei esta fotografia à miúda. Não me dei ao trabalho de fotografar, os olhos dela trazem aquilo que vejo. 

 

Antigamente quando eu era miúda via o Natal em tons de azul bébé, para mim o Natal vinha com essa cor, a festa era sobre um nascimento de um bébé, um menino, depois havia a surpresa das prendas, que chegavam apenas após o nascimento do Menino, na manhã de Natal. Era uma sensação suave e boa, como se aquele bébé fosse de toda a gente. Tínhamos toda a gente, avós, tios, primos, irmãos, depois veio a vida e levou muitos deles, quase todos.

 

A casa ficou vazia e o meu Natal mudou de cor. Passei a ver o Natal com a cor vermelha, era a cor que dava alegria ao Natal, não a festa em si, mas a cor. É uma cor forte, alegre, da cor do sangue, mas o sangue por vezes também é triste, pode ser a cor da perda, no entanto a cor vermelha alegra e nos dá energia, traz movimento, é uma forma de nos transportar para outros sentidos. 

 

Hoje vejo o Natal com outra cor, vejo o Natal verde, daquele verde que podemos ver por aí nas bermas das estradas, aquele verde que brota da terra com a força do nascimento da erva fresca e bravia, que cresce onde quer, e se veste de orvalho à luz da manhã, encanta-me percorrer os caminhos desse verde.

 

Nesta véspera de Natal,  fui ver o Rio, a Serra e a árvore de Natal, aquela que está lá em cima, o Rio estava sereno e lindo como sempre, andava gente a caminhar na sua margem, uma gaivota gritou na beira da praia, um homem num bote percorria as suas águas, havia uma calmaria entre o azul e o verde da Serra que me trouxeram paz e me iluminaram por dentro, uma luz que não sou capaz de descrever em palavras.

 

Fui ver então a árvore luminosa, à luz do dia é apenas uma armação, sem encanto nem beleza, branca e sem ninguém, só ali no meio da avenida, como se não existisse. A solidão.

 

E o Natal é isto: luz e solidão. É o que podemos ser e aquilo que somos. A forma como nascemos, as nossas escolhas e as escolhas dos outros. Podemos estar sós porque queremos ou porque a vida nos levou a isso, mas há sempre uma forma de renascer, basta escolhermos a Luz. E a luz existe por todo o lado, não tem dono, é livre, é imensa, é aquilo que nos faz respirar, que nos cativa, é a serra e o mar, o sol e a lua, as cores da natureza, o frio e o vento, o calor e a chuva, a luz é aquilo que tem a capacidade de nos fazer renascer a cada dia, seja ele Natal ou um outro dia qualquer.

 

 

Feliz Natal! Que a luz esteja sempre convosco. 

 

 

 

 

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