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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Micro contos - Bondade avulso

31.08.18 | Alice Alfazema

 

Ilustração  Maggie Cole

 

 

Ela era muito atenta e raramente dividia o seu poder, gostava de ser boazinha. Espalhava atenção por onde passava, dando a sensação de estar em todo o lado. As pessoas prestavam-lhe vassalagem com sorrisos e festinhas, por vezes também utilizavam a língua. Então ela retirava do bolso do seu casaco um pequeno pacote de bondade e dava umas quantas gramas a quem achava que merecia por ter tido o melhor sorriso ou a língua mais comprida. 

 

 

 

Conversas da escola - Encontro imediato

30.08.18 | Alice Alfazema

Abri o portão e entrei sozinha na escola, a manhã ainda estava fresquinha, era fim de Agosto, os pássaros esvoaçavam por ali e a relva estava regada de fresco. Liguei o sistema, piquei o ponto e parto para a desactivação do alarme, coloco a chave na fechadura  e entro num outro local, sei que tenho pouco tempo até aquilo começar a apitar, sinto sempre um friozinho entre o entrar no espaço e o carregar na última tecla.

 

Já tenho os óculos colocados antes de abrir a porta (tenho que os por antes porque não posso perder tempo a colocá-los agora), uso-os para ver ao perto, na parede do meu lado direito tenho uns quadros de cortiça com vários avisos afixados, estico o braço direito para o teclado e roço o braço num dos quadros, pelo canto do olho direito vejo um rabo meio esverdeado e parecem-me ser pintas brancas, tudo isto está a uns dez centímetros da minha cara...um arrepio percorre-me a espinha, não posso fugir, nem gritar para aliviar a tensão, aquela porcaria pode disparar a qualquer momento, uns suores frios enchem-me o cérebro, a mão está a meio caminho de terminar a desactivação. Escolho esticar o dedo e continuar com a operação, finalmente consigo carregar no último dígito e saio dali em passo recuado e rápido. 

 

Sou uma heroína, venci o meu medo, do apito e da osga. 

Micro contos - Dá jeito contornar a realidade

30.08.18 | Alice Alfazema

 

Ilustração Thierry Manes

 

 

Dá jeito. Porque a realidade vista durante cinco minutos não é a mesma de várias horas seguidas. A realidade de uma frase não abarca todos os indicadores que uma conversa poderá ter. A realidade das competências de cada um não se resume apenas à experiência. A opinião não é uma realidade é um contorno e às vezes dá jeito tê-la. 

Bom dia e bom trabalho ;)

27.08.18 | Alice Alfazema

Ilustração  Marianne Gretteberg Engedal

 

 

Bom dia! Bom dia!

Sai o Senhor Galão numa correria!

 

Tudo bem? Tudo bem?

Corre a Meia de Leite também!


Vamos lá! Vamos lá!
O Garoto quase ficava cá!

 

Que horas são? Que horas são?

Sempre atrasado, Seu Carioca de Limão!

 

A caminho! A caminho!

Bem perfumado, é com cheirinho!

 

Já estou! Já estou!

Abatanado, mas lá chegou!

 

A sentar! A sentar!

O Pingado chega a suar!

 

Falta um! Quem é? Quem é?

O descafeinado! Ainda não está a pé!

Então? Então? Não tomou café?

 

 

 

 

Descobri este poema no blog, Alexia Meets World 

Inteligência colectiva

24.08.18 | Alice Alfazema

Ilustração  Fernando Cobelo

 

 

Acredita que existe uma inteligência colectiva que vai ajudar a humanidade a pensar o mundo em que vive e a preocupar-se com o seu futuro (e o do planeta) e não com apenas cada indivíduo com o seu próprio futuro?

 


Sim, os humanos pensam mais em grupo do que individualmente. Cerca de 99% das ideias que moldam a nossa visão do mundo foram criadas por outras pessoas. Além disso, os três grandes problemas que a humanidade enfrenta hoje são, na sua natureza, globais; por isso, só podemos lidar com eles através da cooperação global. Os indivíduos não os podem resolver, e nem sequer nações inteiras os podem resolver. Só a humanidade como um todo o pode fazer.

 

 

 

Yuval Noah Harari, ler o artigo completo de Alexandra Prado Coelho: Ípsilon

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