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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversas da escola - Entre a despedida e o agradecimento fica uma flor

25.06.18, Alice Alfazema

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Um miúdo de dez anos aproxima-se do balcão do bar da escola, traz uma florzinha destas em cada mão. Estamos no último dia de aulas. Grita para mim enquanto põe as mãos no ar:

 

- Onde é que está a outra pessoa que costuma estar aqui?

 

Referindo-se à minha colega. Chamo-a. Entretanto dá-me esta flor.

 

- Tome é para si!

E dá a outra à minha colega de jornada.

 

Entre a despedida e o agradecimento fica uma flor, e é disto que é feito o meu trabalho, de emoções. Poderia enumerar muitas delas, mas fica apenas esta, porque são sobretudo para estas que desejo focar a minha energia. 

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

Era uma vez um Amor sem idade

25.06.18, Alice Alfazema

 

Ilustração Helen Rowe

 

 

Era um par de jovens. Ela e ele. Ambos jovens. 
Alegremente cantavam as canções dos jovens 
e tinham orgulho em dançar as danças ruidosas dos jovens. 
Como jovens que eram riam-se das pessoas antigas 
por já não serem jovens, 
por não saberem dançar as suas danças de jovens, 
por não saberem cantar as suas canções de jovens. 

 

 

 

 

 


Mas num dia em que os seus olhos se encontraram de certo modo, 
sentiram nos seus corpos um estremecimento antigo. 
As células antigas dos seus corpos jovens 
estremeceram. 
As palavras de amor saíram-lhes da boca 
pressurosas e múltiplas, 
como as pequenas bolas de sabão 
quando num tubo estreito são sopradas. 

 

 

 

 

 

 

 


E juntamente com elas saíam passarinhos leves, 
passarinhos antigos, 
tão leves como as bolas de sabão, 
e os passarinhos iam debicar nos lábios de ambos, 
e os lábios intumesciam-se, vermelhos e macios como polpas, 
e os passarinhos roçavam a penugem do peito pelas pálpebras deles 
com os bicos alisando as sobrancelhas, 
e aninhavam-se entre a carne e a roupa 
batendo as asas num saber antigo. 

 

 

 


Quando acordaram e quiseram sacudir o pó do tempo 
ouviram o riso dos jovens que se riam das pessoas antigas, 
e alegremente cantavam as suas canções de jovens 
e tinham orgulho em dançar as danças ruidosas dos jovens.

 

 

 

 

 

Poema de António Gedeão

 

 

 

Para quem gosta de praia e para quem não sabe que ainda vai gostar muito de uma boa praia

24.06.18, Alice Alfazema

 

Em 2018, o programa Bandeira Azul vai trabalhar o tema “O Mar que Respiramos”, uma vez que, 50% do dióxido de carbono lançado na atmosfera é absorvido pelos oceanos e 70% do oxigénio da Terra é produzido pelo plâncton marinho. O Papel das florestas marinhas é fundamental, são as algas mais pequenas que, literalmente, nos dão o ar que respiramos.

 

 

É inegável que as florestas terrestres são fundamentais para os ecossistemas, são habitat de 80% da biodiversidade terrestres e são elas que garantem a água doce de que todos os seres vivos dependem. E, infelizmente, os acontecimentos recentes no nosso país mostraram, da pior forma, a necessidade urgente da sua preservação.

 

No entanto, se considerarmos que 71% da superfície da Terra é constituída por água e que, há apenas algumas décadas, o Homem conhecia melhor a superfície da Lua do que o fundo dos mares, percebemos porque fomos induzidos numa versão redutora do ciclo do carbono.

 

Hoje, graças ao despertado interesse científico, conhecemos um pouco mais os oceanos e compreendemos o papel que estes têm numa escala global. Sabemos o quanto eles influenciam o clima terrestre e de que forma as correntes oceânicas têm contribuído para a regulação da temperatura na Terra.

 

Mas repor a verdade científica não nos deve fazer respirar de alívio. Pelo contrário.

 

Se à superfície as florestas são vulneráveis a todo o tipo de ameaças, nas profundezas, os grandes pulmões do planeta também estão sujeitos a catástrofes provocadas por mão humana: podemos comprovar que 80% da poluição marinha resulta de atividades terrestres. O plástico que se acumula nos oceanos e se deposita no fundo, por exemplo, é um registo das más praticas ambientais do Homem nos últimos anos. Conta-nos uma história triste de consumo e desperdício a uma grande escala, mas sobretudo mostra o resultado de más escolhas no nosso quotidiano.

 

Em 2018, procuraremos despertar consciências para a influência que os oceanos exercem em todos os aspectos da vida no planeta, de que forma afectam e são afectados pelas alterações climáticas e o que isso significa a longo prazo. Mas não só. Vamos demonstrar a ligação existente entre ecossistemas terrestres e marinhos e como a vida no mar está tão dependente de pequenos gestos em nossas casas.

 

O caminho passa pela educação ambiental e pela adopção de comportamentos mais racionais e eficientes na utilização de recursos. Uma educação para a conservação, proteção e melhor gestão, que começa nas nossas florestas e termina no mar. Uma educação por uma sociedade de baixo carbono.

 

 

 

 

Texto retirado do site Bandeira Azul, onde podem explorar os vários projectos relacionados com o tema. Para saberem as praias que em Portugal possuem Bandeira Azul, consultar aqui. Divirtam-se em consciência e levem sempre o vosso lixo convosco. 

 

Conversas da escola - Versos perdidos

23.06.18, Alice Alfazema

 

Ilustração Lisa Aisato

 

 

Todas as manhãs 

acordo a sorrir.

Mas olho para o relógio

e só me apetece dormir.

Chego à escola

só me apetece brincar.

Mas toca a campainha

e para a sala começo a andar.

 

Então na sala 

e sento-me no meu lugar

oiço a professora que começa a explicar.

 

Toca a campainha

vamos todos lanchar.

Mas chegamos ao bar

e cansamo-nos de esperar.

 

Nesta escola gostamos de aprender

No nosso futuro 

de muito nos vai valer

 

 

 

 

Poema deixado ao acaso na biblioteca da escola...

 

 

 

 

Alice Alfazema