Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Micro contos - 1+1=11

02.12.17, Alice Alfazema

Ilustração David Palumbo

 

 

Pensei que estava longe, muito longe. Senti o calor e a humidade invadirem-me o corpo. Olhei aquele céu estrelado e ouvi os risos que pairavam à minha volta. A música ainda ecoava na minha cabeça. Durante muito tempo fervilhou no meu cérebro. Os sons embalaram-me os músculos adormecidos pela bebida e levaram-me até aquelas mãos grandes. Diferentes das tuas. Senti então aquele corpo debaixo de mim. Diferente do teu. 

 

 

Alice Alfazema

O pior da velhice é irmos ficando sem amigos e sem referências?

02.12.17, Alice Alfazema

 

 

Enquanto dorme, um homem sonha que é uma borboleta: voa de flor em flor, busca o pólen, abre e fecha as asas. Ele tem a rapidez, a graça e a fragilidade da borboleta. De repente, acorda e percebe com espanto que é um homem. Mas é um homem que acaba de sonhar que era borboleta? Ou é uma borboleta que sonha que é um homem?

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

 

Coisas do nosso tempo - A cena menos escaldante em literatura em 2017

02.12.17, Alice Alfazema

Ela cobre os seios com o seu fato de banho. O resto dela permanece deleitavelmente exposto. A pele dos seus braços e ombros são sombras diferentes de bronzeado como manchas de água numa banheira. O seu rosto e vagina competem pela minha atenção, por isso olho para o triângulo de bilhar do meu pénis e testículos.

 

Christopher Bollen, in The Destroyers

 

 

O terceiro romance do americano Christopher Bollen, The Destroyers, é o grande vencedor do indesejado troféu Bad Sex in Fiction, atribuído, desde 1993, pela revista literária britânica Literacy Review à pior descrição de sexo em obras de ficção.

 

 

 

Alice Alfazema

Paisagens de 2017

01.12.17, Alice Alfazema

A equipa do SAPO Blogs desafiou: Qual foi a paisagem mais deslumbrante que fotografaram em 2017?

 

Eis aqui as minhas paisagens de 2017, daquela que nunca me canso de ver, de sentir e de cheirar os seus intensos aromas: A Serra da Arrábida, aqui com vista para Setúbal, uma das mais belas baías do mundo. Setúbal serena vestida de azul e verde, menina encantada na beira do Sado, que ouve os gritos das gaivotas e sente o frescor da brisa marinha. 

 

Aqui um nascer do Sol, porque sou mais apreciadora de começos e gosto daquele momento mágico em que há um dourado que nos chama para a vida e que nos faz pensar naquilo que andamos aqui a fazer.

 

IMG_1466.JPG

 

 

Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos.

 

 

IMG_1459.JPG

 

 

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

 

 

IMG_1494.JPG

 

 

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.

 

 

IMG_1495.JPG

 

Mas passo dias inteiros 
a ver um rio passar. 
Com aves e ondas do Mar 
tenho amores verdadeiros.

 

 

IMG_1488.JPG

 

O Vento enchia o Mundo. Mal deixava

lugar para a tremenda voz das ondas.

 

Mas era o Mar apenas que se ouvia.

 

 

Poemas de Sebastião da Gama, um poeta de amava a Serra da Arrábida.

 

 

 

 

Digam lá que não têm inveja dos pássaros?

 

 

 

Alice Alfazema

 

Zé Pedro...

01.12.17, Alice Alfazema

zé pedro.jpg

 

 

Pensas que eu sou um caso isolado 
Não sou o único a olhar o céu 
A ver os sonhos partirem 
À espera que algo aconteça 
A despejar a minha raiva 
A viver as emoções 
A desejar o que não tive 
Agarrado às tentações 

E quando as nuvens partirem 
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem 
Vais ver, o sol brilhará 
Vais ver, o sol brilhará 

Não, não sou o único 
Não, sou o único a olhar o céu 
Não, não sou o único 
Não, sou o único a olhar o céu 

Pensas que eu sou um caso isolado 
Não sou o único a olhar o  céu 
A ouvir os conselhos dos outros 
E sempre a cair nos buracos 
A desejar o que não tive 
Agarrado ao que não tenho 
Não, não sou o único 
Não sou o único a olhar o céu

 

 

Zé Pedro

 

 

 

 

Alice Alfazema

Pág. 6/6