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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A lenda do entrecosto carnudo

27.09.16 | Alice Alfazema

No ano do senhor de MMXVI, uma lindíssima dama vai às compras ao hipermercado Continente, tinha na sua mente fazer uma gostosa sopa de feijão com carne e legumes para o jantar. Apressa-se então a chegar ao talho e olha a vitrine recheada de carnes e promoções, que poderiam transformar-se em manjares de deuses. Haviam costeletas de suíno, frango do campo, lombo de porco, codornizes, entremeada, bife de vaca...e eis que chega o rapagão do talho, dentro da sua farda de quase marinheiro, braços musculados e olhar catita. A dama diz-lhe então que quer entrecosto e pede-lhe para ele lhe mostrar um pedaço que estava na montra. Ele assim o fez. A dama vendo o pedaço de carne rapado até ao osso, diz-lhe que aquilo tem pouca carne. O rapaz olha-a com ar benevolente e diz-lhe, por isso é que se chama de entrecosto. Ela admirada com a resposta conta-lhe que antigamente o entrecosto tinha um pedaço de carne por cima do osso. O rapaz reflecte um pouco, dois segundos, e diz-lhe, às vezes temos aí, por acaso hoje não sei se tenho, um entrecosto carnudo...Quer levar deste? Não, diz-lhe a dama que não conhece o verdadeiro espírito do entrecosto carnudo, esse só tem osso, levo antes um pedaço de entremeada e um pouco de lombo. 

 

 

Alice Alfazema

Bom dia ;)

27.09.16 | Alice Alfazema

bicicleta.jpg

 

Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais —
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.

 

 

Poema de Herberto Helder

 

 

Alice Alfazema

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