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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Coisas com A

15.03.16, Alice Alfazema

Ilustração Gürbüz Doğan Ekşioğlu

 

A ampulheta do tempo escorre gota a gota em tudo aquilo que podemos e gostaríamos de fazer. É noite, é dia, é noite, é dia. Escoou nas frases que dissemos, nos sorrisos, nos abraços, nas lágrimas. Aos anos, aos dias, às horas. Vai e não vem. Ficou-se. Espreitamos e não vemos, mas sabemos que ela está lá. Talvez seja de vidro, talvez seja de porcelana fina, ou de cristal, é frágil, quando se parte não existe retorno. Seguramos a ampulheta com leviandade e num sopro ela se vai, ficou-se então a leveza de tudo o que já era, mas já não é. Os bagos de areia fina espalham-se pelas memórias que ficaram, navegam nas brisas dos ecos. Brincam onde foram colhidas e voltam à originalidade intemporal da terra. 

 

 

Nós somos um instante no infinito
fragmento à deriva no Universo
O que somos não é para ser dito
o que sente não cabe num só verso

 

 

Poema de António-Pedro Vasconcelos, quem canta é Ana Moura.

 

Alice Alfazema