Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Aguarela

31.10.15 | Alice Alfazema

 

De  repente a vida torna-se numa aguarela, basta um só pingo de água para mudar aquilo que se vê, a paisagem assume outra forma. Tudo se transforma. Os vales podem dar lugar a montanhas. O lago sereno ganha ondas gigantescas e sai daquelas margens seguras, levando consigo as flores que estavam a nascer. 

 

 

O pingo de cada cor mistura-se à medida que o pincel, levado pela mão dá cor ao papel. Surgem então as imagens e as sombras. Os brilhos são os últimos. Os pingos caem como chuva. Secam com o tempo. As marcas ficam.

 

Aguarelas de Endre Penovac, ver mais aqui.

 

Alice Alfazema

 

 

 

Micro contos - O juízo

25.10.15 | Alice Alfazema

 

Ilustração  Selçuk Demirel

 

 

Perdeu o juízo dos dias e das coisas, mas por vezes parece ter bons momentos de lucidez. Lembra-se bem do antigamente e sabe que vai chover quando olha o céu. No entanto, não sabe onde está o pacote do leite, não o reconhece. Esconde pacotes de bolachas por toda a casa. É uma felicidade quando os reencontra.

 

Alice Alfazema

Por onde me apetecia andar

18.10.15 | Alice Alfazema

 

Com estas bonitas palavras percorro este caminho.

 

 

O que tentam dizer as árvores
No seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência,
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade.
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.

 

Poema de António Ramos Rosa

 

Fotografia daqui.

 

Alice Alfazema

 

Pág. 1/2