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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pensamento desencarnado

23.05.15, Alice Alfazema

Pintura  Jaroslav Kourbanov

 

 

A importância que o corpo assume nos meus versos radica no desejo de dignificar aquilo que no homem mais tem sido insultado, humilhado, desprezado ou corrompido, pelo menos de Platão para cá. Digo corpo onde outros dizem espírito, porque todo o pensamento desencarnado me faz horror. Ser expulso de um calor que é o do sangue, eis a miséria. Só através do corpo nos poderemos erguer à divindade do que formos capazes, até deixar de ser, na frágil e precária luz da terra, o mais estrangeiro dos seus habitantes.

 

Eugénio de Andrade

 

Alice Alfazema

 

6 milhões de casas em Portugal

22.05.15, Alice Alfazema

 

 

Clique na imagem para ver o catálogo.

 

Este catálogo é da iniciativa da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Nele há um chamamento para a quantidade de imperfeições que existem nos lares portugueses. Apesar de olharmos constantemente para o lado, os números estão lá e são apenas uma parte da realidade, apenas uma parte. Nos últimos dias têm sido reveladas imagens de violência, entre jovens, entre a polícia e adeptos de futebol, de entre outras situações. Ficamos então muito chocados quando as vemos, as redes sociais levantam-se em protesto, os tablóides idem, no entanto esquecemos que quem alimenta esta selvajaria na sociedade somos todos nós.  

 

Vemos então tudo com uma calma, tal como o branco do sofá insinua e a arrumação perfeita o faz sentir. São os outros. Os outros e apenas os outros. 

 

Alice Alfazema