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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A mesma coisa

27.05.15, Alice Alfazema

 

Fotografia Mona Holmo

 

Deixo-vos aqui um pedacinho daquilo que estou a ler:

 

(...) vi umas cascatas enormes. A mais alta tem 408 metros e a água cai de lá de cima como uma cortina atirada do topo da montanha . Ela não parece descer rapidamente, como seria de esperar: devido à distância, parece descer muito devagar. E a água não parece descer num fluxo único, mas antes separada em muitos fluxos estreitos. Ao longe parece uma cortina. E pensei que deve ser uma experiência muito difícil para cada gota de água descer do cimo de uma montanha tão alta. Como deves calcular, é necessário tempo, imenso tempo, até a água acabar por chegar ao fundo da cascata. E parece-me que a nossa vida humana pode ser assim. Temos experiências difíceis na nossa vida. Mas, ao mesmo tempo, pensei que a água não se encontrava separada inicialmente; era um rio inteiro. Só quando se separa é que tem alguma dificuldade em cair. Como se o rio não tivesse qualquer sentimento quando é um rio inteiro. Apenas separado em muitas gotas consegue começar a ter ou a exprimir algum sentimento. Quando vemos um rio inteiro não vemos a actividade viva da água, mas, ao vertemos uma parte do rio numa concha, experimentamos alguma sensação relativamente à água, e também sentimos o valor da pessoa que a utiliza. Sentimo-nos a nós e à água deste modo, não a poderemos utilizar de um modo material. Ela é uma coisa viva. [...] Quer esteja separada ou não separada em gotas, a água é água. A nossa vida e a nossa morte são a mesma coisa. Quando nos apercebemos disso, deixamos de ter medo da morte e deixamos de ter verdadeiras dificuldades na nossa vida. 

 

Shunryu Suzuki

 

Alice Alfazema

 

Cenas de um cabide

27.05.15, Alice Alfazema

O Cabide é uma cena bué.

O cabide está sempre em pé.
O Cabide é um brother.

 

A malta não sabe bem o que é um cabide.
O Cabide é uma cena cota.
O Cabide é um brother.

 

O Cabide tem cenas tipo.
O cabide fica umas cenas d’aflito .
O Cabide é um brother.

 

 

O Cabide anda a direito.
Pr’ó cabide – respeito.
O Cabide é um brother.

 

O Cabide não fuma ganzas a metro.
O Cabide é uma cena retro.
Ainda assim é um Brother.

 

O Cabide é cool.
Mas não vai a Seul.
A não ser que fume ganzas.
Aí vai mas sem delicadezas.
O cabide é uma cena bué. Tipo. Cenas …

 

António Ribeiro, em Crónicas do Maldizente 

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

Iniciativa e entreajuda

26.05.15, Alice Alfazema

Fotografia da  revista Visão 

 

Nos dias que correm parece haver uma aversão, ou talvez deva chamar piroseira, a ser-se solidário ou voluntário por alguma coisa que não nos traga retorno financeiro, mas que faça diferença na sociedade. Mas há boas iniciativas que devem ser divulgadas e esta é uma delas.

 

Um grupo de alunos do ISA, Instituto Superior de Agronomia, que fica situado em plena Lisboa, decidiu testar os conhecimentos adquiridos, daí nasce o projecto Solidarisa. Assim cultivam cerca de 7,5 hectares, onde a produção é integralmente para alimentar quem mais precisa. 

 

À "vertente solidária", o grupo do ISA acrescenta ainda "o desenvolvimento de competências-chave na área da agronomia" e "a interação com a realidade empresarial", por via de uma lista de 14 patrocinadores, que inclui, entre outros, o Banco Santander Totta e a Galp, além de diversas empresas do setor agrícola, que apoiam ao nível dos adubos, das sementes ou dos sistemas de rega. "São três pontos fundamentais, que nos ajudam a crescer como futuros profissionais do setor agrícola", sustenta Afonso. Ao grão, acrescentaram depois mais culturas, como a couve e o trigo, que, com o apoio da Cerialis, a empresa produtora das massas Nacional, foi transformado em esparguete, para posterior entrega ao Banco Alimentar.


Parabéns a todos os que estão neste projecto. É sempre bom saber que há quem não se acomode, quem queira ideias novas e quem as ponha em prática. Precisamos urgentemente de visões criativas que nos tirem desta pasmaceira em que nos tornámos.

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

O mar

24.05.15, Alice Alfazema

mar.JPG

 

Tenho o mar a amanhecer-me

no meu quintal

aquele

onde sorrateiramente

também tenho uma janela

que à noite

vaidosa

caprichosa

sabe espreitar

beber tragar

sorver

o mar a luar-se

por sinfonias de prata

prateando os olhos

porque os olhos, os que tenho,

absorvem

o desaguar da lua

pelo sonho

na vontade de o ver chegar

 

Jorge Serafim 

 

Alice Alfazema