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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A jeito

18.04.15, Alice Alfazema

Ilustração Rossana Bosù

 

A nossa vida é feita de parágrafos. Alguns são demasiado extensos. Por vezes existem medos que os fazem alargar em adjectivos desnecessários. Curtos são bem melhores, dão-nos mais oportunidades de experimentar e de nos pormos a jeito perante esta coisa a que damos o nome de vida. 

 

Do meu coração ao teu 

vai um parágrafo inteiro

atafulhado de letras e pontuações 

consumo as vírgulas

- a ver se lhe ponho os finais mais cedo

 

Jorge Serafim

 

Alice Alfazema

 

Passeio matinal

10.04.15, Alice Alfazema

O dia está meio chocho, mas fizemos um belo passeio matinal, às oito da matina eis-me aqui passeando o Ginjas. As fotografias é o possível devido às condições físicas do meu potente cão.

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Aqui está ele reclamando que quer ir sozinho.

- Eu sei andar sozinho. Bolas! Bolas e bolas!

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- Olá! Vou ali explorar o tronco a ver se vejo uns lagartitos.

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Finalmente uma foto de jeito (ou quase).

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- Sou um cão vegetariano e quero ser jardineiro quando for grande.

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- Xauzinho e tenham um bom dia de trabalho, porque euzinho vou ali para a minha almofada dormir uma soneca até me fartar.  

 

 

 

 Alice Alfazema

 

Pormenores de um poema e de uma varanda sobre o Tejo

09.04.15, Alice Alfazema

 

varanda.JPG

 

Esta é uma varanda sobre o Tejo. Este poema pertence à voz do Carlos do Carmo, e foi escrito pelo José Luís Tinoco, quanto à música poderão ouvi-la aqui

 

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

 

No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.

 

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.

 

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

 

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.

 

No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

 

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

 

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

 

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.

 

 

Alice Alfazema

 

 

4gr de aconchego

08.04.15, Alice Alfazema

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Talvez amor

a sul de ti

descubra as cores que me ilustram o teu sorriso

as frases que me receitam o teu precioso sorriso

250gr de azul

150gr de dourado

2 dl de arco-íris

4gr de aconchego

e outros  tantos libertinos litros de qualquer coisa

qualquer coisa, amor, do sul

para ti

 

 

Jorge Serafim 

 

Alice Alfazema