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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O elefante

04.03.15, Alice Alfazema

Ilustração Jennifer Mercede

 

 

O rugoso elefante pousa as patas cuidadosas nas pedras,
Pedras do imenso caminho, sinuoso e íngreme,
Entre as antigas muralhas e as altas frondes,
E vai subindo devagar para o palácio- fatigado patriarca.
 
O rugoso elefante tem apenas um velho manto amarelo,
Manto amarelo esgarçado e pobre, que não se parece
Com as coberturas soberbas, os brocados que outrora
Envolveram seus ancestrais, portadores de palanquins.
 
O rugoso elefante é um grande mendigo, e atrás dele vão e vêm
As crianças ténues, de dentes claros, que agitam raminhos
E com voz de brincadeira vão dizendo aos viajantes:
“Bakhshish! Bakhshish!Bakhshish!”
Para ganharem alguma pequena moeda negra.
 
Vão cantando assim. E seus dentes são mesmo pequenas pérolas,
E o elefante protege as crianças com sua sombra,
Levando-as na tromba, ri com os olhos, é um avô complacente,
Que vai morrendo entre bondades, alegrias, pobreza, lembranças.
 
 
Cecília Meireles
 
 
Alice Alfazema

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