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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Somos feitos de pó de estrelas

22.03.15, Alice Alfazema

Ilustração Pablo Jurado Ruiz

 

Notas que há em ti uma certa saudade em voar, em pairar num céu imenso, num vazio esplêndido de caminhos celestes, que te podem levar a outras paragens e que sentes também como tuas. É o pó de estrelas que há em ti.

 

Somos feitos
da mesma matéria
que as estrelas
e os amores-perfeitos

Somos feitos
de pó de estrelas

 

Trata todas as estrelas
como se fossem irmãs
sejam elas gigantes
ou sejam elas anãs

 

Poemas de Jorge Sousa Braga, in Pó de Estrelas.

 

Alice Alfazema

 

 

Sobre a traição

21.03.15, Alice Alfazema

Ilustração Ariana Perez

 

Perguntaram-me o que eu achava sobre a traição:

 

A traição é sempre um acto pensado, por vezes, não admitido, mas mesmo assim pensado. Seja qual for o tipo de traição ela existe porque há nela uma raiz que vai crescendo, até ser consumada. Nesta acção matamos o outro lentamente, deitamos a confiança por terra, colocamo-la num buraco fundo, onde não há luz, onde o pensamento é vazio, onde os sentimentos deixam de existir. Recuperar é difícil, uma vez que o buraco é tão fundo quanto a confiança que existia. Apenas o tempo desvanece a traição. 

 

Alice Alfazema

 

Primavera

20.03.15, Alice Alfazema

pinha.JPG

 

Ouvi dizer que a Primavera começa hoje às 22h e 45 minutos, exactamente a essa hora. Noutro lado li que a Primavera anda escondida. Andará tudo distraído? Pois dou por mim a olhar a Primavera  há algum tempo. Vejo-a constantemente à beirinha da estrada, nas papoilas vermelhas e leves, que dançam com o vento. Encontro-a no cheiro das brisas, nos rebentos das árvores, nos prados de amarelas azedas. O desabrochar por todo o lado já está instalado no meu quotidiano. Erguem-se airosas as amendoeiras que já estiveram em flor. Os musgos revoltam-se. As heras sobem discretamente os muros velhos dos caminhos mais antigos. A framboeseira desperta com pequenos rebentos. Não deram por nada? Talvez a vejam à hora marcada, depois esquecidos partem para outras descobertas, instruídos pelos pastores de modas. Hoje foi o eclipse, descobrimos o Sol e a Lua. Estavam lá há tanto tempo que os tínhamos esquecido, mas hoje foram a notícia. Tantas coisas por descobrir, tantas e tão perto que nem dás por elas, é preciso ser no tempo exacto, é preciso ser ordenado, num dia e numa hora especifica, senão nem sabes do que se trata.  

 

É Primavera, Amor.

O meu coração nasceu no teu, em flor.

 

Maria Azenha, in A sombra da romã, 2011

 

 

Alice Alfazema