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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Os desejos voam

27.03.15, Alice Alfazema

Ilustração Martijn van der Linden

 

Se pensarmos na quantidade de coisas em que acreditamos, apenas ao longo do dia, podemos verificar que não é difícil acreditarmos em nós próprios.

 

acreditar nas dobradiças das portas 

nos maços de algodão e nas coisas tortas

nas folhas de papel quadriculado 

num gesto mesmo que articulado

nas lâminas de barbear

nas sardinhas enlatadas em molho de cheirar

nos autoclismos e noutros mecanismos

nos hamburguers nos super-nutritivos

nos saca-rolhas e noutros aperitivos

nas cuecas de gola alta, no peúgo azul turquês

nalguma sorte que à terceira é de vez

 

Poema, Jorge Serafim, in A Sul de Ti

 

Alice Alfazema

Dias de vento

24.03.15, Alice Alfazema

Os dias de vento fazem-me lembrar do tango. A dança das folhas, a fúria e a pausa repentina. O deixar ir. O vir. O ficar.

 

...um dia vão descobrir que viver é um treino e uma aprendizagem… É um exercício de meter no possível os nossos sonhos, os nossos desejos e as nossas ambições mas sem abdicar deles.(…) E quando a gente faz essa descoberta vai ainda mais longe: faz por tornar os nossos sonhos possíveis. E o que é possível, sempre, é o afecto que damos aos outros…


in O Riso de Deus, António Alçada Baptista

 

Alice Alfazema

 

É preciso

24.03.15, Alice Alfazema

Ilustração Sandrine Kao

 

Renascer

limar os gumes, o frio

da estação naufragada

metamorfose de cinzas

                        em pétalas

Cântico ao vento

           imortalidade na voz

 

Maurícia Teles

 

Alice Alfazema